Tom Cruise abandona a imagem de galã em Digger, sátira política dirigida por Alejandro González Iñárritu que chega aos cinemas na quinta-feira 1º. No filme, o ator interpreta um magnata inconsequente responsável pela administração das principais reservas naturais do planeta. Depois de provocar um tsunami que afunda metade da Europa, o personagem precisa tentar salvar o mundo das consequências de suas próprias decisões.
A transformação também é física. Aos 64 anos, Cruise aparece com cabelos grisalhos, entradas, rugas e uma barriga farta, resultado de maquiagem. A caracterização o distancia do visual associado a ele desde os anos 1980 e reforça a tentativa de demonstrar que sua atuação vai além dos filmes de ação.
O longa, uma produção dos Estados Unidos, do Reino Unido e do México de 2026, já aparece entre as apostas para o Oscar antes da estreia. A indicação de Cruise na categoria de melhor ator é apontada como uma das possibilidades mais promissoras do filme.
Uma carreira entre ação e prestígio
Cruise recebeu quatro indicações ao Oscar. Uma delas foi por produzir Top Gun: Maverick (2022), enquanto as outras três foram por atuação em Nascido em 4 de Julho (1989), Jerry Maguire: A Grande Virada (1996) e Magnólia (1999). Em novembro, ele também recebeu um Oscar honorário, reconhecimento da Academia de Hollywood por sua carreira e por sua defesa do cinema diante das ameaças recentes.
O ator se tornou uma das vozes mais críticas ao domínio do streaming e, conforme sua trajetória recente, é o único astro de seu porte que ainda não trabalhou com uma plataforma. Também apoiou o retorno do público às salas de exibição depois da pandemia.
A carreira inclui a estreia em Negócio Arriscado (1983), a passagem por diferentes gêneros e trabalhos com Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Steven Spielberg, Stanley Kubrick e Paul Thomas Anderson. Em De Olhos Bem Fechados (1999), Cruise avançou em direção a papéis associados à maturidade.
A exposição da vida pessoal, porém, acompanhou sua fama. Ele é o principal rosto público da Cientologia e teve divórcios com Nicole Kidman e Katie Holmes, em 2001 e 2012, respectivamente. Na separação de Katie, moveu um processo de difamação de 50 milhões de dólares contra um tabloide que afirmou que ele havia abandonado a filha Suri. O caso terminou em acordo sigiloso. Em julho deste ano, Suri retirou legalmente o sobrenome do pai.
Ao mesmo tempo, a franquia Missão: Impossível consolidou sua imagem de astro de ação. Em oito filmes, Cruise escalou o Burj Khalifa, de 160 andares, em Dubai, e saltou de um desfiladeiro pilotando uma motocicleta. A série contribuiu para que a bilheteria acumulada de sua carreira passasse de 13 bilhões de dólares.
Depois de Digger, Cruise planeja a sequência de Dias de Trovão (1990), prevista para 2028. Ele também pode retomar o projeto de filmar no espaço, ideia abandonada após desentendimentos com a atual gestão da Nasa. Sobre o período entre um trabalho e outro, costuma dizer: “Me preparo para o próximo”.


