Josué Cunha Seixas Filho queria ser pai de quatro homens para formar um time de futsal em casa. Habilidoso no futebol, era conhecido nas praças, nos campos e na praia. Planejava ficar no gol para que os filhos fossem os destaques.
Para cada filho, criou um apelido e guardou uma história. Thiago era o Brancão; Josué Felipe, o Bada; Bruninho era descrito como o menino mais tranquilo que conhecera; e Davi, o Piba, era comparado ao rei bíblico por sua força. Quando Josué Felipe estava doente, o pai deu o remédio gota por gota para evitar que ele tomasse uma injeção.
Nascido em Maceió (AL) em 29 de maio de 1958, Josué foi o primeiro da família a concluir a graduação. Para chegar à Ufal (Universidade Federal de Alagoas), pegava seis ônibus por dia. Filho de alfaiate, trabalhou por 24 anos no Grupo Carlos Lyra, período pelo qual tinha grande carinho.
Ele costumava andar chutando pedras e contava que, quando mais novo, improvisava objetos para jogar futebol. Passou por clubes de bairro e pela base do CSA, além de torcer para o Flamengo.
Josué também escrevia cartas, fazia declarações e brincava que era considerado um redator. Em casa, após o almoço, gostava de ligar o som em volume alto para que todos ouvissem hinos, sobretudo os cantados por Shirley Carvalhaes. Criado na Assembleia de Deus, manteve a fé até o fim.
Diagnosticado com câncer em 2020, passou por duas cirurgias e diversas quimioterapias. Mesmo desanimado, procurava transmitir aos outros a impressão de que estava bem.
Morreu no dia 21 de agosto, aos 68 anos, tranquilo e convencido de que se encontraria com Deus. A segunda esposa, Iracilda, disse que ele manteve a fé na recuperação até o último minuto e destacou sua coragem durante o tratamento.
Josué deixa Iracilda, mãe de Josué Felipe e Davi, e Daiza, mãe de Thiago e Bruno. Também deixa as netas Helena e Beatriz, filhas de Thiago.


