O Nobel de Economia de 2026 foi concedido a Robert E. Hall e Michael Woodford pelos fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica. O comitê responsável pelo prêmio afirmou que os economistas reformularam modelos tradicionais ao colocá-los sobre uma base voltada às decisões individuais de famílias e empresas.
A premiação, anunciada nesta segunda-feira (12), reconhece dois pesquisadores americanos ligados ao NBER (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica dos EUA). Ambos fizeram doutorado no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e produziram estudos usados na academia e na formulação de políticas econômicas.
As contribuições de Hall
Nascido em Palo Alto, na Califórnia, em 1943, Hall estudou economia na Universidade da Califórnia em Berkeley e fez doutorado no MIT sob orientação de Robert Solow, Nobel de 1987. Sua trajetória profissional inclui a Universidade Stanford e a Hoover Institution.
O economista ganhou destaque ao mostrar, em um artigo de 1978, que o consumo das famílias depende principalmente da renda esperada no futuro, e não apenas dos ganhos anteriores. Nessa formulação, os gastos só se alteram quando surgem informações inesperadas sobre a renda, o que torna imprevisíveis suas variações.
Hall também investigou a resistência dos salários à queda durante crises. Para ele, os custos envolvidos na busca e na contratação de funcionários fazem as empresas reduzir as contratações quando a atividade econômica perde ritmo. Apesar de ser associado à macroeconomia, ele se define como economista aplicado, com interesses em tecnologia, concorrência, emprego e política econômica.
A teoria monetária de Woodford
Michael Woodford nasceu em 1955, em Chicopee, Massachusetts. Formou-se pela Universidade de Chicago em 1977, estudou direito em Yale e concluiu o doutorado em economia no MIT em 1983.
Ligado à economia novo-keynesiana, Woodford ajudou, com Julio Rotemberg, a desenvolver um modelo baseado nas escolhas de famílias e empresas. A teoria considera que preços e salários permanecem fixos por algum tempo. Assim, quando os juros sobem, o consumo e o investimento recuam antes que os preços se ajustem completamente, contribuindo para a desaceleração da economia e o controle da inflação.
Woodford é autor de “Interest and Prices”, publicado em 2003, e organizou com Ben Bernanke, ex-presidente do Fed e Nobel de 2022, um livro sobre regras para regimes de metas de inflação.
O comitê declarou: “Em vez de basear os modelos em relações estatísticas entre variáveis macroeconômicas, como inflação, produção e consumo, optaram por construí-los sobre uma base microeconômica”.

