LIMA — A prisão feminina de Chorrillos abriga 751 detentas, embora tenha capacidade para 400. No local, uma oficina reúne cerca de 290 presas em diferentes turnos para produzir bonecos de pano, rosários, brincos e pulseiras relacionados ao papa Leão 14.
A direção do presídio ainda não sabe se o pontífice visitará uma unidade prisional. As detentas, porém, gostariam de encontrá-lo e apresentar os artigos que confeccionam, afirmou a diretora Doris Nakandakari.
Produção para a visita
A meta é fabricar pelo menos mil bonecos para comercialização antes e durante a visita papal ao Peru, prevista para ocorrer de 11 a 16 de novembro. Parte da renda é destinada ao sustento das famílias das detentas.
Os bonecos são preenchidos com algodão e vendidos pelas redes sociais por menos de US$ 9 (cerca de R$ 47), além de serem oferecidos em uma loja do Instituto Nacional Penitenciário. As peças reproduzem Prevost com óculos, batina branca, capa vermelha e solidéu papal.
A detenta Nany, que não divulga o sobrenome, coordena o empreendimento. Enquanto recorta o rosto caricaturado do papa em um molde, outras mulheres trabalham nas máquinas de costura. Em outro espaço, presas entrelaçam miçangas para montar os demais produtos.
“Temos muitas emoções. Trabalhar no boneco nos liberta”, disse Nany. A brasileira Jullie Rocha, 20, que cumpre pena por tráfico de drogas, também participa da produção. “Eu pediria [a Leão 14] que rezasse um pouco por todas nós, porque aqui neste presídio não somos como as pessoas pensam”, afirmou.
Retorno ao país
Robert Prevost, nomeado chefe da Igreja Católica em maio de 2025, nasceu nos Estados Unidos e também tem nacionalidade peruana. Ele chegou ao Peru pela primeira vez em 1985 e atuou no país durante cerca de duas décadas.
A viagem de novembro será seu primeiro retorno ao Peru como papa. As principais paradas serão Chiclayo e Lima, onde encerrará sua primeira passagem pela América Latina após visitar o Uruguai e a Argentina. Em suas primeiras palavras públicas depois de assumir o cargo máximo da Igreja Católica, em maio do ano passado, saudou sua “querida diocese de Chiclayo”, cidade da qual foi bispo.


