BRASÍLIA — Felipe e Rodrigo vão gravar em 26 de setembro o DVD “No Sentimento”, projeto que a dupla considera o maior de sua carreira. O repertório será formado exclusivamente por músicas autorais, sem regravações e sem participações especiais.
A decisão contraria uma tendência que ganhou espaço no sertanejo nos últimos anos. Felipe afirmou que os dois, como compositores, preferem apostar em canções inéditas a reinterpretar obras de outros artistas. “Se for para errar, que a gente erre com algo novo”, disse.
A dupla é responsável por músicas gravadas por outros nomes do gênero. Entre elas estão “Arranhão”, registrada por Henrique & Juliano, além de “Gosta de Rua” e “Ignora”, lançadas pelos próprios artistas. “Erro Gostoso” se tornou um dos principais sucessos da carreira solo de Simone Mendes.
Para Felipe e Rodrigo, o projeto também poderá criar um repertório que seja gravado por outros cantores no futuro. Felipe afirmou que a intenção é produzir músicas próprias e deixar abertas novas versões feitas por outros artistas.
A ausência de convidados segue uma linha adotada nos trabalhos mais recentes da dupla. Rodrigo disse que os projetos anteriores já vinham sendo desenvolvidos apenas pelos dois e que a escolha busca preservar a identidade artística da parceria.
Os artistas não descartam, porém, uma gravação futura com outros nomes do sertanejo. Rodrigo citou Jorge e Mateus, Matheus e Kauan, Henrique e Juliano e Daniel como nomes com os quais a dupla gostaria de trabalhar. Segundo ele, a parceria ainda depende do momento adequado. O DVD “é só a gente mesmo”, afirmou.
Durante a entrevista, os dois também falaram sobre a disputa por espaço entre o sertanejo, o funk e o pagode nas plataformas digitais. Um ranking divulgado em julho pela Pró-Música mostrou que, entre as 50 músicas mais tocadas no Brasil no primeiro semestre de 2026, apenas duas sertanejas estavam entre as dez primeiras: “Eu Te Seguro”, de Panda, e “Tubarões”, de Diego & Victor Hugo.
Felipe disse que os números da internet não bastam para medir a força do sertanejo. Como exemplo, mencionou a Festa do Peão de Barretos e a capacidade do gênero de reunir público em eventos. Ele também levantou suspeitas sobre possível manipulação de números nas plataformas, sem questionar a popularidade do funk, e defendeu que a presença em grandes shows seja considerada nessa avaliação.


