A relação entre religião e voto varia entre leitores: há quem priorize ética, qualificação e propostas, enquanto outros consideram seus princípios religiosos ou rejeitam candidatos que associem a política a crenças específicas.
Leonardo Proença da Cruz, de Curitiba (PR), afirma que os problemas sociais e econômicos do Brasil devem ter mais peso do que a religião e escolhe pela ética do candidato. Sérgio Guimarães, de São Paulo (SP), diz que vota no nome mais qualificado, mas descarta candidatos ligados a grupos que defendam medidas baseadas em livros sagrados.
Para Beatriz R. Alvares, de Campinas (SP), o Estado deve continuar laico e todas as religiões precisam ser respeitadas. Ela considera que a adoção de uma religião como propósito de governo pode ameaçar a liberdade religiosa e influenciar outras áreas da vida. A leitora afirma que a declaração de Flávio Bolsonaro sobre fazer do Brasil o país de Jesus Cristo já seria suficiente para afastar seu voto, ainda que não seja, segundo ela, o único motivo.
Princípios pessoais e atuação pública
Silvio Mendonça, de Catalão (GO), diz ser católico e não escolher candidatos pela religião, mas afirma que não vota em quem defenda posições contrárias a seus princípios cristãos. Anna Rachel Gontijo Mazoni, de Belo Horizonte (MG), também menciona sua condição de cristã batista. Para ela, o exemplo de Jesus orienta a busca por candidatos preocupados com pobres, estrangeiros, enfermos e excluídos.
Vivian Rufino Medeiros, de Guarulhos (SP), considera muito importante que os valores políticos estejam alinhados aos religiosos. Já Heloisa de Jesus Correia, de São Paulo (SP), sustenta que candidatos devem ser avaliados por propostas. Ela lembra que o Brasil é um Estado laico previsto na Constituição de 1988 e critica o uso da fé como instrumento político.
Rejeição à influência religiosa
Nathan Saruk Nunes, de Osasco (SP), afirma ser ateu e evitar candidatos que baseiem sua atuação na religião, defendam benefícios para igrejas ou adotem posições conservadoras, como as associadas a evangélicos. Lauro Pires Xavier Neto, de Bananeiras (PB), também diz ser ateu e avalia que a religião é usada como arma política.
Fernando Luiz de Morais, de Natal (RN), manifesta preocupação com a influência religiosa no Congresso e com a possibilidade de a vida ser regulada pela religião, em detrimento da lei. Edmundo Alvares, de Goiânia (GO), por outro lado, defende a fé católica e acusa a esquerda de usar notícias falsas para enganar pessoas religiosas.
Ana Beatriz Miranda Feitosa da Silva, de Picos (PI), afirma que um país laico não deveria escolher seu chefe de governo com base em preceitos religiosos. Ela também relaciona o debate às consequências que atribui à extrema direita para a dignidade, a segurança e a liberdade político-religiosa da população.


