São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00%
Notícia com critério
Política

Assessora de Flávio tratou de emenda com condenado por caso Marielle

Conversas obtidas pela Polícia Federal mostram negociações sobre R$ 199 mil destinados a projeto esportivo no Rio.

Assessora de Flávio Bolsonaro negociou emenda com miliciano condenado no caso Marielle
Foto: Reprodução

Uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou, em 2023, a liberação de emendas parlamentares com Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ). A Polícia Federal identificou indícios de desvios nos repasses.

O valor de R$ 199 mil foi destinado a um projeto de futebol do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), no Rio. A entidade está localizada na Taquara, área de influência de Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, condenados pelo STF como mandantes da morte de Marielle.

Conversas e pedidos

As mensagens foram extraídas do celular de Calixto em março de 2024, durante uma busca e apreensão relacionada ao caso Marielle. O contato da assessora Maria de Fátima Bezerra Castro aparecia salvo como “Fafa Flávio Bolsonaro”.

Em uma das conversas, Calixto pediu ajuda ao senador. Maria de Fátima orientou que ele enviasse um email ou ofício com a solicitação. Depois, perguntou quando ele iria a Brasília. O miliciano respondeu que viajaria em Novembro e perguntou se seria possível obter ajuda.

As trocas continuaram até março de 2024. Calixto cobrava informações sobre a liberação dos recursos e pedia que Flávio não esquecesse o Ifop. Em 22 de março de 2024, escreveu: “Consultamos as destinações parlamentares e não tinha nada do nosso Senador, porém estamos no aguardo”.

Os registros também mostram um pedido de quatro ingressos para o desfile das campeãs, em um camarote na Sapucaí. Os investigadores classificaram a solicitação como vantagem indevida.

Em outubro de 2023, Maria de Fátima convidou Calixto para uma cerimônia de entrega de coletes à Polícia Militar do Rio. A orientação era levar Chiquinho Brazão e cobrar pessoalmente Flávio sobre a liberação dos recursos.

Defesas e investigação

A assessoria de Flávio, que é candidato à Presidência pelo PL, afirmou que os repasses seguiram a lei e critérios técnicos do Ministério do Esporte. Também disse que a entidade apresentou notas fiscais, devolveu os valores não utilizados e que a execução dos recursos cabia à organização beneficiária.

Chiquinho Brazão não se manifestou. A defesa de Domingos Brazão informou que não trata do assunto relativo às emendas. O advogado de Robson Calixto não respondeu aos contatos.

Em julho, a Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar suspeitas de desvios de emendas destinadas por Chiquinho Brazão a organizações não governamentais no Rio. A apuração envolve suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de possíveis pagamentos indevidos e uso de empresas interpostas para ocultar a origem e o destino dos recursos.

Em fevereiro, Chiquinho e Domingos Brazão receberam penas de 76 anos e 3 meses de prisão, cada um, pela condenação como mandantes do assassinato de Marielle e por chefia de milícia na zona oeste do Rio. Calixto foi condenado a 9 anos de reclusão por integrar o grupo.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.