BUENOS AIRES — Amigos e familiares de Emiliano Fuentes Firmani mobilizaram-se para pedir a libertação do gestor cultural brasileiro-argentino, de 47 anos, detido enquanto aguardava para votar nas eleições presidenciais deste domingo (4), na embaixada do Brasil em Buenos Aires.
A mobilização foi divulgada por Ramiro Varela, amigo de Fuentes, que convocou um protesto pacífico em frente ao centro de detenção provisória da rua Suipacha, no centro da capital argentina. “Repudiamos energicamente a detenção de Emiliano Fuentes e exigimos sua libertação imediata”, afirma a mensagem.
Detenção durante a votação
Relatos de testemunhas indicam que Fuentes tentou defender um ambulante que vendia camisas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato na eleição. Agentes disseram que o eleitor segurou as mercadorias apreendidas e não obedeceu à ordem para devolvê-las.
A prisão provocou tumulto entre as pessoas que estavam na fila. Presentes filmaram a ação e tentaram impedir, sem sucesso, que Fuentes fosse levado algemado ao carro da polícia. Funcionários da embaixada intervieram, entre eles o cônsul-geral do Brasil em Buenos Aires, Raymundo Magno.
Segundo informações fornecidas por Varela, Fuentes foi preso por “atentado e resistência contra a autoridade”. O código penal prevê pena de seis meses a dois anos quando o acusado “puser as mãos na autoridade”. A esposa do gestor cultural relatou preocupação com a possibilidade de condenação.
Filho de argentinos, Fuentes viveu no Brasil durante a infância, quando os pais deixaram o país vizinho por causa da ditadura militar, nas décadas de 1970 e 1980. Ele participa das eleições brasileiras e, em 2022, publicou nas redes sociais o registro de seu voto: “Mais de 1 km de fila para votar Lula presidente”.
Confusão na embaixada
A detenção ocorreu em uma votação marcada por espera superior a duas horas em algumas seções. Na fila, havia venda de chapéus favoráveis a Lula, bandeiras do Brasil e coxinhas. Também foram registradas discussões e gritaria entre eleitores do petista e apoiadores de Flávio Bolsonaro.
A Justiça Eleitoral permite manifestações individuais e silenciosas com bandeiras, broches, camisetas e adesivos. Até as 17h do dia da eleição, contudo, proíbe aglomerações com roupas padronizadas ou instrumentos de propaganda. Em embaixadas e consulados fora do país, essas representações não têm poder para impedir ações realizadas fora de seus prédios.
A prefeitura de Buenos Aires, administrada por Jorge Macri, reforçou operações contra a venda irregular nas ruas. Em agosto deste ano, o governo informou ter removido 19 mil vendedores ambulantes de parques e calçadas desde 2023. “Para melhorar a qualidade de vida dos moradores de Buenos Aires, o governo da cidade concentrou seus esforços em planejamento urbano, segurança e respeito à propriedade privada”, afirmou a administração.


