São Paulo, Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Dólar R$ 4,99 · Euro R$ 5,58 · Ibovespa 209.067 -0,00%
Notícia com critério
Política

Crise estudantil leva Macron a reunir ministros enquanto atos avançam na França

Mobilização alcançou universidades, envolve dezenas de cidades e combina reivindicações educacionais com críticas à atuação policial.

Crise estudantil leva Macron a reunir ministros enquanto atos avançam na França
Foto: Dimitar Dilkoff/AFP

O presidente Emmanuel Macron reuniu no Palácio do Eliseu o primeiro-ministro Sébastien Lecornu e os ministros Laurent Nuñez, do Interior, e Édouard Geffray, da Educação, diante do avanço dos protestos estudantis na França. A crise também levou o governo a anunciar uma pausa nas aulas ao fim da semana, para um “tempo de democracia interna” nos liceus.

A mobilização começou em unidades da periferia parisiense e ganhou escala nacional. Em Créteil, o movimento tomou forma em 21 de setembro, no liceu Saint-Exupéry. Segundo Geffray, faltavam três professores, uma diretora adjunta, uma assistente social e uma psicóloga escolar na instituição.

Em 24 e 25 de setembro, cerca de 60 liceus da Île-de-France foram afetados. A União Sindical dos Liceus (USL) convocou o bloqueio de todos os liceus para terça-feira (29), quando também estava prevista uma greve do funcionalismo. O presidente da entidade, Ryad Rani, afirmou que o número de unidades fechadas passou de 100 na segunda (28) para 400 na terça (29) e 643 na quinta (1º). De acordo com ele, havia 2.000 liceus fechados.

“Por enquanto, está indo muito bem. O movimento só cresce desde o início”, disse Rani.

Pauta educacional e expansão

As reivindicações incluem a substituição de professores ausentes, redução da lotação das salas, melhoria dos prédios e mudanças na rotina escolar. As entidades estudantis apresentaram dez medidas, entre elas o fim do Parcoursup, plataforma criada em 2018 para a disputa por vagas no ensino superior.

Os estudantes também pedem 250 mil vagas a mais, revisão da reforma do bac, contratação de profissionais de ensino e saúde e um enfermeiro escolar para cada 500 alunos, conforme a porta-voz da Union étudiante, Sabrine Kharbach. O fim da violência policial está entre as demandas.

Nesta terça-feira (6), o Ministério do Interior contabilizou 256 mil manifestantes em mais de 40 cidades, incluindo 56 mil em Paris. USL, FAGE, Union étudiante e UNEF estimaram 450 mil participantes, com 100 mil na capital. Cerca de 40% das instituições públicas de ensino superior foram afetadas, segundo o ministério.

Confrontos e disputa política

Em Paris, a marcha percorreu o trajeto entre a Place de la République e a Place de la Nation. Houve lançamento de pedras, uso de gás lacrimogêneo e uma barricada incendiada no boulevard Voltaire. A polícia informou a presença de 300 “indivíduos hostis” no cortejo.

O Ministério do Interior registrou mais de 6.000 detenções desde o início dos atos, a maioria de menores. Em Saint-Ouen-l’Aumône, o policial que disparou um lançador de granadas contra o rosto de Eden, 14, foi indiciado por violência seguida de mutilação. O promotor de Pontoise afirmou que as condições de legítima defesa “não estão reunidas”.

Em Lens, um garoto de 15 anos perdeu uma das mãos na segunda-feira (5). Uma fonte policial disse que ele pegou uma granada, mas as circunstâncias não foram esclarecidas. O gabinete do primeiro-ministro contabilizou 715 policiais, 215 estudantes e 85 profissionais da educação feridos.

Na Assembleia Nacional, Lecornu condenou a violência e negou a existência de “instruções políticas de repressão policial”. O governo também apresentou um projeto para responsabilizar os responsáveis por jovens que causem danos a prédios públicos, inclusive com cobrança dos reparos diretamente sobre benefícios sociais.

O primeiro-ministro acusou a França Insubmissa (LFI) de ter uma agenda para jogar o país no caos antes da eleição de 2027. A legenda rejeitou a acusação. Jean-Luc Mélenchon, candidato em 2027, participou de uma marcha com estudantes. Para o cientista político Bruno Cautrès, a tese de manipulação não se sustenta, embora a eleição já influencie o debate.

O movimento ocorre enquanto a dívida pública francesa equivale a 119% do PIB. O Orçamento de 2027 começa a ser examinado pelos deputados em 12 de outubro, com previsão de vários bilhões de euros em ajuste. Na quarta (7), o ministro Philippe Baptiste recebe entidades estudantis. Para a quinta (8), a CGT e os estudantes convocaram nova mobilização.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.