O editorial publicado pela The Economist nesta quinta-feira, 24, apontou Renan Santos, da Missão, como o candidato cujas ideias mais se aproximam dos desafios atuais do Brasil. A avaliação é acompanhada de uma ressalva: para a revista, ele não conseguiu avançar diante das estruturas políticas associadas a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Renan é descrito no texto como um “libertário combativo” que defende reformas estruturais profundas e cortes de gastos para transformar o país em uma grande potência. A revista afirma, porém, que nem ele nem outros candidatos de fora do sistema conseguiram superar a influência política de Lula e Bolsonaro.
O editorial considera que uma aceleração expressiva da dívida e dos custos dos empréstimos poderia levar o Brasil a uma crise, com efeitos sobre o Real, a inflação e a atividade econômica. Também avalia que uma escolha entre Lula e Flávio representaria poucas perspectivas para o país, pois nenhum dos dois seria visto como confiável para enfrentar problemas apontados como centrais: a corrupção e o crescimento dos gastos públicos.
Sobre Lula, a publicação afirma que o presidente fez pouco para estimular a expansão econômica ou controlar as despesas. Também diz que ele não promoveu reformas econômicas, salvo a simplificação do imposto sobre vendas, e critica sua posição sobre disciplina fiscal.
A respeito de Flávio Bolsonaro, a revista menciona sua rejeição à tese de que a atividade humana provoque as mudanças climáticas, seus questionamentos sobre a integridade das urnas eletrônicas e a possibilidade de não reconhecer uma eventual vitória de Lula. O texto também cita investigações sobre supostos vínculos com criminosos violentos, negados por Flávio, e destaca como uma de suas principais propostas o indulto ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A The Economist enumera reservas de petróleo, Amazônia, geração hidrelétrica, produção agrícola, minerais de terras raras e uma população de 220 milhões de habitantes como elementos do potencial brasileiro. Ainda assim, afirma que a economia do país ficou estagnada nas últimas cinco décadas em comparação com nações pares e com a média de crescimento global.
O editorial diz que o futuro brasileiro pode permanecer em suspenso por pelo menos mais quatro anos. Também ressalta o funcionamento da Polícia Federal, da imprensa, do corpo diplomático e do Supremo Tribunal Federal, além de avaliar que uma eventual crise econômica poderia ampliar o apoio a propostas que defendam sacrifícios para alcançar um futuro diferente.


