O embaixador do Brasil na Espanha seria um dos primeiros representantes diplomáticos a deixar o posto caso Flávio Bolsonaro seja eleito, afirmou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (30). Na gravação, ele relacionou a possível mudança a um áudio atribuído a um diplomata que ofereceria ajuda da embaixada brasileira em Madri para encontrar uma escola para os filhos de Lulinha, que se mudou para a cidade em 2025.
Na época do áudio, o posto era ocupado pelo embaixador Orlando Ribeiro. O atual representante brasileiro na Espanha é o ex-chanceler Luiz Alberto Figueiredo. Eduardo disse que a troca serviria para sinalizar que esse tipo de atuação não se repetiria em um eventual governo de seu irmão.
Promessas para o Itamaraty
Eduardo afirmou ter mapeado os embaixadores que entraram e deixaram postos durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Também declarou que pretende acompanhar servidores que, segundo ele, teriam sabotado a administração de Jair Bolsonaro.
“Eu vou estar na sua cola”, disse o ex-deputado ao se dirigir a servidores do Itamaraty que, na avaliação dele, participaram dessas ações. Para os funcionários que não teriam se envolvido, afirmou que haveria espaço em uma equipe destinada a mudar a atuação do ministério e recuperar sua credibilidade.
Ele também disse que diplomatas, embaixadores e outros servidores do Itamaraty devem atuar em favor do interesse público, e classificou como prevaricação o uso dos cargos para atender a preferências pessoais.
Projeto de reestruturação
Marcos Degaut, apontado como braço direito de Eduardo na política externa, afirmou em conversas fechadas que existe um plano chamado “Marco Rubio overhaul”. A proposta prevê uma reestruturação das carreiras do Itamaraty, com concentração dos diplomatas em regiões e temas específicos, além do cumprimento de metas de exportação, investimentos e inserção comercial.
O plano também incluiria uma reforma no sistema de promoções e a atribuição de funções a algumas pessoas de fora do Itamaraty. Degaut afirmou que a medida não teria como objetivo promover perseguições por motivos políticos.
A referência é à reforma conduzida por Marco Rubio no Departamento de Estado dos Estados Unidos. Naquele caso, foram eliminadas 1.300 vagas, departamentos e postos foram fechados, e passaram a ser adotadas metas quantitativas e qualitativas, incluindo critérios relacionados à fidelidade à agenda de Donald Trump.
Rubio também estabeleceu o mérito como principal critério para promoções, em vez do tempo de carreira. Sob sua gestão, 9% dos embaixadores vieram do serviço diplomático. Nos 50 anos anteriores, essa proporção variou de 57% a 74%.
Situação de Eduardo
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde março de 2025. Ele deixou o Brasil após afirmar que o Supremo Tribunal Federal recolheria seu passaporte para impedir sua articulação internacional contra o julgamento de Jair Bolsonaro no caso da trama golpista.
O ex-deputado se licenciou por quatro meses do mandato. Depois, permaneceu no exterior e acumulou faltas na Câmara, perdendo o mandato em dezembro por excesso de ausências. Em junho deste ano, o STF o condenou a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. Em setembro, ele também perdeu o cargo de escrivão da Polícia Federal por abandono de cargo.


