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Política

Proposta de Flávio Bolsonaro mobiliza reação da CNBB sobre símbolos religiosos

Senador defende decreto sobre a identidade cristã do Brasil, enquanto bispos alertam contra o uso político da religião e a manipulação eleitoral.

O plano de Flávio Bolsonaro contra o status de Nossa Senhora Aparecida

A promessa do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de editar um decreto afirmando que o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo provocou reação de setores da Igreja Católica. A proposta é interpretada por lideranças católicas como uma ameaça ao status de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil e como sinal de aproximação com sua base evangélica neopentecostal.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e lideranças regionais divulgaram manifestações e vídeos sobre voto consciente. A entidade mantém a posição formal de não indicar partidos ou candidatos. O presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, afirmou que a mistura entre religião e política historicamente não produz resultados positivos.

Bispos do Regional Norte 1, que reúne Amazonas e Roraima, também fizeram alertas contra a “manipulação religiosa que pede votos em nome de Deus”. Nos vídeos, destacaram que “as igrejas não são currais eleitorais”. As manifestações foram entendidas como uma reação indireta à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Antecedente no Congresso

A preocupação com uma eventual mudança no reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida é associada a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado e pastor Victorio Galli. O Projeto de Lei 2623 pretendia alterar a legislação para restringir o título da santa a “Padroeira dos brasileiros católicos”.

A proposta de decreto também é relacionada à Teologia do Domínio, corrente que defende a presença de cristãos evangélicos em todas as esferas de poder. Nessa perspectiva, símbolos católicos reconhecidos por lei federal poderiam perder espaço institucional.

A reação católica ainda se apoia em episódios de hostilidade contra imagens sacras. Em 1995, o bispo Sérgio Von Helde protagonizou, na TV Record, o episódio conhecido como “chute na santa”. Em outubro de 2023, o pastor Sérgio Fernandes, de Bastos (SP), criticou a instalação de um monumento a Nossa Senhora Aparecida na entrada da cidade.

Também foram registrados por autoridades policiais casos de depredação de paróquias e destruição de imagens sacras em estados como São Paulo e Paraná. Os episódios foram enquadrados como crime de ultraje a culto, previsto no Artigo 208 do Código Penal.

Para a Igreja Católica, a promessa de um decreto presidencial combina o avanço político do segmento evangélico com um histórico de intolerância contra símbolos católicos. A disputa sobre a identidade religiosa do país passou, assim, a integrar o debate eleitoral de 2026.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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