SÃO PAULO — Ricardo Salles (Novo) desistiu da candidatura ao Senado por São Paulo e passou a apoiar André do Prado (PL), seu principal alvo durante a pré-campanha e a campanha. A mudança ocorreu após um acordo com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para favorecer as candidaturas de André e Guilherme Derrite (PP) às duas vagas em disputa.
A decisão foi anunciada em uma agenda com Tarcísio nesta segunda-feira (28/9), depois de uma reunião no comitê de campanha do governador. André e Derrite também participaram do encontro.
Antes de retirar o nome da disputa, Salles havia criticado repetidamente o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Durante a pré-campanha, afirmou que André não seria um representante legítimo da direita e declarou: “o André nunca foi, não é e nunca será um candidato de direita”.
O deputado também questionou o apoio de André a Dilma em 2010, sua atuação durante a pandemia e a relação com Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Em outra publicação, disse que o maior colégio eleitoral não poderia votar em André do Prado.
Disputa e ataques
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (24/9) apontou Salles em quinto lugar, com 4% das intenções de voto. Marina Silva (Rede) tinha 15%, Simone Tebet (PSD), 14%, e André do Prado e Guilherme Derrite registravam 12% cada. Com margem de erro de dois pontos percentuais, os quatro primeiros candidatos estavam tecnicamente empatados no cenário apresentado.
As críticas continuaram ao longo da campanha. Salles acusou André de ter mantido um estuprador como chefe de gabinete, chamou-o de “candidato típico do Centrão” e afirmou que ele havia se unido ao PT para presidir a Assembleia Legislativa.
No último debate de que participaram, no dia 23 deste mês, Salles classificou André como uma marionete de Valdemar Costa Neto. André respondeu dizendo ser ficha limpa e mencionou que Salles é réu no STF por supostamente beneficiar o contrabando de madeira.
A disputa também chegou à Justiça Eleitoral. Em agosto, o TRE-SP aplicou duas multas de R$ 5 mil a Salles por propaganda eleitoral antecipada e impulsionamento de conteúdo negativo contra André. Depois, determinou a remoção de outra publicação com críticas ao presidente da Alesp.
Ao justificar a desistência, Salles afirmou que diferenças pessoais deveriam ser deixadas de lado diante do objetivo de fortalecer as candidaturas apoiadas por Tarcísio. O governador disse que o deputado tinha legitimidade para seguir na disputa, mas decidiu dar um passo ao lado para contribuir com o grupo.


