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Política

Senado em 2026 terá candidaturas de políticos transferidos para outros estados

Hélio Lopes, Carlos Bolsonaro, Marina Silva e Simone Tebet disputam vagas fora dos estados onde construíram suas carreiras políticas.

Senado em 2026 terá candidaturas de políticos transferidos para outros estados
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A eleição para o Senado em 2026 reúne políticos conhecidos nacionalmente que transferiram o domicílio eleitoral para estados diferentes daqueles onde construíram suas trajetórias. Hélio Lopes (PL) concorre por Roraima, Carlos Bolsonaro (PL) foi lançado em Santa Catarina, enquanto Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) tentam vagas por São Paulo, após carreiras no Acre e em Mato Grosso do Sul, respectivamente.

Cada estado elegerá dois senadores. A legislação permite a candidatura de quem não nasceu na unidade federativa, desde que seja comprovado domicílio eleitoral no local por pelo menos seis meses antes da votação. Para 2026, o prazo terminou em 4 de abril.

A disputa dentro do PL em Roraima

A transferência de Hélio Lopes alterou os planos do PL em Roraima, que pretendia lançar apenas o deputado federal Nicoletti ao Senado. O diretório estadual afirmou ter tomado conhecimento da candidatura depois da divulgação da mudança de domicílio. Com a decisão, o partido passou a ter dois candidatos para as duas vagas disponíveis, em uma disputa que reúne 13 concorrentes.

A candidatura foi articulada em Brasília a pedido de Jair Bolsonaro, segundo o presidente do PL em Roraima, Arthur Henrique. Hélio afirma que recebeu do ex-presidente a missão de concorrer no estado. Nascido em Queimados (RJ), ele conheceu Bolsonaro no Exército, após ingressar na instituição como sargento em 1991.

Hélio foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro em 2018, com mais de 340 mil votos, e foi reeleito em 2022. Em Roraima, afirma ter atuado na região amazônica, feito um curso militar em Boa Vista em 1999 e enviado emendas para laboratórios de informática antes de transferir o título.

A Justiça Eleitoral proibiu o uso do nome Bolsonaro na urna e na propaganda, sob o entendimento de que o sobrenome poderia gerar confusão e vantagem indevida. O candidato disputa a eleição com o nome de registro, Hélio Fernando Barbosa Lopes.

Recursos e avaliação nas pesquisas

A chegada do novo candidato também modificou a divisão do Fundo Eleitoral no estado. A campanha de Nicoletti recebeu R$ 3,1 milhões, enquanto Hélio Lopes ficou com R$ 500 mil. Arthur Henrique explicou que a distribuição foi aprovada pelo diretório estadual, após a direção nacional delegar a gestão dos recursos a políticos com mandato.

O presidente do PL em Roraima afirmou que candidatos locais já tinham compromissos com outros nomes ao Senado. Por isso, o diretório liberou informalmente os apoiadores para administrar esses acordos, mantendo a exigência de que não houvesse declarações públicas contra as diretrizes do partido.

Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (25) colocou Teresa Surita (MDB) em primeiro lugar, com 22%, seguida por Nicoletti, com 19%. Hélio Lopes apareceu em 7º lugar, com 2% das intenções de voto. No levantamento anterior, estava em 5º lugar, com 5%.

O diretor da Quaest, Felipe Nunes, afirmou que o apoio de Bolsonaro tem peso, mas não garante a eleição. Para ele, a transferência formal de domicílio não cria vínculo imediato com os eleitores, que também avaliarão a agenda apresentada para Roraima.

Estratégia nacional dos partidos

A cientista política Graziella Testa avalia que as mudanças refletem a busca das cúpulas partidárias por nomes leais às suas pautas no Congresso. O Senado tem poder exclusivo para aprovar indicações ao Supremo Tribunal Federal e julgar processos de impeachment de ministros. Como senadores podem trocar de legenda sem perder o mandato, as direções nacionais procuram aliados considerados de confiança.

Testa afirmou que a estratégia consiste em lançar alguém de confiança absoluta, mesmo que não seja originário do estado. Analistas também apontam que a prática pode ampliar a presença das siglas em locais considerados favoráveis e nacionalizar campanhas inicialmente voltadas a temas regionais.

A migração eleitoral não é inédita. Na primeira eleição após a redemocratização, em 1990, José Sarney transferiu o título do Maranhão para o Amapá, onde foi eleito senador. Em Roraima, o debate envolve a capacidade de candidatos sem trajetória local responderem às demandas sociais, econômicas e culturais do estado, além de suas propostas para temas como segurança de fronteiras, agronegócio e infraestrutura energética.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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