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Saúde

Pesquisa aponta como o estrogênio pode afetar a memória na gravidez

Experimentos com camundongos e testes com 70 mulheres relacionaram níveis elevados do hormônio a alterações temporárias de memória.

Pesquisa aponta como o estrogênio pode afetar a memória na gravidez
Foto: Regis Duvignau/Reuters

A elevação prolongada do estrogênio durante a gravidez foi associada a alterações temporárias de memória em camundongos e a pior desempenho em testes feitos com mulheres grávidas. Os resultados apontam para uma via neuronal que conecta o hipotálamo ao hipocampo, estrutura ligada à formação da memória.

O estudo avaliou 70 mulheres, algumas em diferentes estágios da gravidez e outras que não estavam grávidas. Os testes mediram memória de longo prazo, curto prazo e de trabalho. Os prejuízos apareceram no fim da gravidez e estavam relacionados à concentração de estrogênio circulante.

O circuito analisado

Nos experimentos com camundongos, os pesquisadores reproduziram níveis elevados e prolongados de estrogênio. Os animais apresentaram dificuldades em tarefas de reconhecimento de objetos e de localizações, sem alterações de humor.

O hormônio aumentou a atividade dos neurônios do hipotálamo. Como consequência, a atividade do hipocampo foi suprimida, o que prejudicou o desempenho dos animais. O hipotálamo atua como centro de controle e integração, enquanto o hipocampo participa da formação da memória.

A transmissão dos sinais do estrogênio para as células do hipotálamo ocorreu por meio do receptor de estrogênio alfa. Nessa região há grande quantidade de neurônios GABAérgicos, que normalmente enviam sinais inibitórios para outras áreas do cérebro. Segundo os pesquisadores, o estrogênio em níveis elevados hiperativou esses sinais nos camundongos.

A desativação experimental da conexão entre o hipotálamo e o hipocampo eliminou os problemas de memória provocados pelo hormônio. Já a ativação da mesma via prejudicou a memória dos animais mesmo sem aumento da quantidade de estrogênio. Quando os receptores de estrogênio foram retirados geneticamente dos neurônios do hipotálamo, os efeitos associados ao hormônio e à gravidez também foram revertidos.

Relatos e limites dos resultados

O chamado cérebro de grávida pode envolver esquecimento, confusão mental e dificuldades para lembrar nomes, palavras ou informações conhecidas. A memória espacial, social e verbal também pode ser afetada. O fenômeno tende a ficar mais evidente no fim da gravidez e pode continuar no período pós-parto, mas geralmente desaparece depois do nascimento do bebê.

Cerca de 80% das gestantes percebem essas mudanças, embora esse dado se baseie principalmente em relatos pessoais e experiências subjetivas, não em testes objetivos. Zheng Sun, professor de medicina da Faculdade de Medicina Baylor e um dos líderes do estudo publicado na revista Science Bulletin, afirmou: “Não é algo grave nem incapacitante do ponto de vista médico, embora afete o funcionamento cotidiano e a autoconfiança”.

Os pesquisadores ressaltam que os resultados não indicam uma redução geral da capacidade cognitiva. Yanlin He, diretor do Laboratório de Controle Glicêmico e Metabólico do Cérebro do Centro de Pesquisa Biomédica Pennington, da Universidade Estadual da Louisiana, disse que “a gravidez não torna uma pessoa simplesmente 'menos inteligente'”.

Para os autores, os resultados obtidos com as mulheres são compatíveis com o mecanismo identificado nos camundongos, mas não comprovam a mesma relação de causa e efeito. O circuito neural específico não foi manipulado nem medido diretamente nas gestantes, porque esse tipo de investigação invasiva não é possível em pessoas.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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