A série Carrie, a Estranha estreia no Prime Video na quarta-feira 7 e transporta para os dias atuais a história criada por Stephen King. A produção, dividida em oito episódios, retoma o conflito da adolescente submetida à humilhação dos colegas e acrescenta ao enredo os efeitos do cyberbullying e da violência armada nas escolas americanas.
O filme dirigido por Brian de Palma em 1976, baseado no livro publicado por King em 1974, tornou célebre a cena em que Carrie White é coroada rainha do baile e recebe um banho de sangue de porco. Ridicularizada diante dos estudantes, ela reage usando poderes psíquicos e transforma a festa em um massacre. A sequência foi retomada em produções como Glee e Rainha da Sucata.
Uma ameaça que sai da escola
Na nova versão, Carrie é interpretada por Summer H. Howell, e sua mãe, Margaret, por Samantha Sloyan. As duas vivem isoladas sob a influência de um patriarca religioso e conspiracionista. Depois que ele morre em um acidente, Margaret precisa trabalhar, enquanto a filha passa a frequentar a escola pela primeira vez.
Em vez de uma jovem hostil, Carrie é apresentada como ingênua e pouco familiarizada com o mundo. A característica a torna vulnerável aos colegas, entre eles Chris, personagem de Alison Thornton. A estudante cria um perfil no Instagram para atacar Carrie, fazendo com que a perseguição ultrapasse o ambiente escolar e envolva pais e professores.
O roteirista Mike Flanagan decidiu assumir o projeto depois de adaptar outras obras de King, como A Vida de Chuck (2025) e Doutor Sono (2019). Para desenvolver a nova abordagem, ele recorreu a dois casos ocorridos na Califórnia: o casal Turpin, que manteve treze filhos em cativeiro até a fuga de uma jovem de 17 anos, em 2018, e o tumulto em uma escola de Albany, em 2017, provocado por um perfil do Instagram com publicações racistas usadas para bullying.
“Meu livro era sobre sangue e terror. Esta versão é sobre o medo das redes sociais”, afirmou King. Flanagan também disse que a série evita transformar a morte de jovens em uma celebração. A produção altera ainda as motivações de Carrie e mostra uma Margaret menos definida apenas pelo fanatismo. O enredo passa a discutir como pessoas vulneráveis podem ser radicalizadas, enquanto Flanagan planeja escrever mais duas temporadas.


