MILÃO — A Prada abriu o calendário italiano de moda com uma coleção construída a partir de 63 saias. Plissadas, lápis e assimétricas, as peças foram apresentadas por Miuccia Prada e Raf Simons como uma base para explorar diferentes ideias e formas de expressão.
“A saia é um objeto contemporâneo porque é flexível, adaptável. Ela convida à contradição”, afirmou Miuccia Prada. A coleção combinou elementos industriais, como o velcro, a bordados de cristal, além de usar crinolina fora de sua aplicação convencional. Desde o primeiro prêt-à-porter da marca para o inverno de 1988, a grife trabalha com uma tensão entre classicismo, luxo, simplicidade e referências ao cinema neorrealista italiano e aos uniformes escolares.
O desfile ocorreu no último dia 22. A apresentação retomou a defesa da liberdade criativa associada à marca e o questionamento de códigos considerados conservadores. Raf Simons descreveu o processo como uma tentativa de questionar, reconsiderar e repensar os materiais e suas combinações.
Tradições e mudanças nas grifes italianas
A Dolce & Gabbana apresentou a coleção “Stravaganza Siciliana”, baseada em elementos recorrentes da marca, como leopardo, renda e alfaiataria. Lingeries apareceram sob paletós encurtados e em peças transparentes, enquanto as minissaias foram associadas a uma reação ao decoro.
Nas marcas da Armani, a coleção da Emporio Armani encerrou o ciclo assinado por Silvana Armani e Leo dell’Orco. Os dois passaram a direção criativa para Dario Vitale, que estreia na temporada de inverno de 2026. A proposta usou marcas do tempo nos materiais, com superfícies alteradas, cores irregulares, seersucker amassado e veludo tratado a laser.
Na etiqueta homônima de Giorgio Armani, Silvana Armani preservou referências à alfaiataria masculina, aos ombros marcados e às geometrias associadas aos anos 80. Um dos looks, com costume preto, camisa e gravata, remeteu ao visual usado por Giorgio Armani aos oito anos, em sua primeira comunhão, em 1942. Silvana também incluiu algodão, material de que o estilista não gostava.
Maria Grazia Chiuri levou para a Fendi referências aos anos 1970 e a figuras como Adriano Celentano e Raffaella Carrà. A coleção reuniu lingeries à mostra, decotes profundos, transparências, robes e peles recicladas como estolas. A apresentação foi feita diante de um vidro espelhado inspirado na obra “Cubo di Specchi (Mirror Cube)”, de Luciano Fabro.
Na Gucci, Demna Gvasalia apresentou a “Store Show”, descrita por ele como sua primeira coleção na grife com sua visão pessoal completa. A proposta foi associada à discussão sobre o significado do luxo contemporâneo e à dificuldade da marca de se estabilizar após a saída de Alessandro Michele. A coleção recorreu à ironia e a elementos de ostentação, com peças de poliéster e aparência barata, conforme a avaliação apresentada sobre o desfile.


