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Internacional

Doação privada abastece famílias migrantes detidas em centro no Texas

Casey Revkin deposita dinheiro em contas de famílias com crianças no Centro de Processamento de Imigração de Dilley.

Doação privada abastece famílias migrantes detidas em centro no Texas

Um depósito de US$ 50 para a família de um bebê de dois meses marcou o início da iniciativa de Casey Revkin no Centro de Processamento de Imigração de Dilley, no Texas. Hoje, a diretora da organização Each Step Home afirma destinar até US$ 10 mil por semana a famílias migrantes detidas no local.

O dinheiro é usado para a compra de água engarrafada, cereais, sopa em pó, produtos de higiene, lanches, cadernos e tintas. Revkin calcula que os depósitos alcancem cerca de 80% dos detidos em Dilley. Os recursos vêm de doações, incluindo uma arrecadação organizada no Dia das Mães.

Um recurso dentro do centro

A possibilidade de receber valores em contas individuais e fazer compras no próprio centro chegou ao conhecimento de Revkin por meio de advogados de imigração, ativistas e congressistas. Ela passou a orientar os depósitos com base nas informações fornecidas pelas famílias.

O nicaraguense Luis Sánchez* estava com os quatro filhos havia mais de três semanas em Dilley quando enviou uma mensagem por correio eletrônico, após receber a indicação de uma advogada. Ele pediu ajuda para comprar água, escovas e pasta de dentes, além de lanches.

Poucos dias depois, recebeu US$ 200, cerca de R$ 1 mil, e comprou água, pipoca, guloseimas e alimentos frescos. Sánchez afirmou que a ajuda trouxe alívio para os filhos, duas das quais demonstravam sinais de desespero. A filha mais velha, segundo ele, sofria de ansiedade.

Sánchez e as crianças deixaram o centro no dia 1° de julho, depois de quase três meses no local. A família passou a ser acompanhada em um programa alternativo à detenção do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Parte do dinheiro recebido foi usada para comprar passagens de volta à cidade onde moravam antes da detenção.

Trajetória de assistência

Revkin começou a atuar em 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump, depois de saber que crianças eram separadas dos pais durante a entrada irregular nos Estados Unidos. Ela ajudava a preencher, imprimir e organizar documentos para acelerar a reunificação familiar. A atuação deu origem à Each Step Home.

Em janeiro, o caso de Liam Conejo Ramos, de cinco anos, detido durante uma operação anti-imigração em Minneapolis, levou Revkin a buscar novas formas de assistência. O menino foi levado com o pai ao Centro de Processamento de Imigração de Dilley, o mesmo onde Sánchez ficou detido.

A instalação havia sido fechada durante o governo de Joe Biden (2021-2025) e reabriu no ano passado. Relatos divulgados por organizações de defesa dos migrantes e congressistas registraram preocupações sobre as condições no local. Um documento publicado em abril por Human Rights First e Raíces classificou como generalizadas e sistêmicas as denúncias de maus-tratos, condições desumanas e violações do devido processo.

A CoreCivic, responsável pela gestão do centro, rejeitou as acusações. O porta-voz Ryan Gustin disse que a empresa oferece atendimento seguro e humano e que Dilley é submetido a supervisão, auditorias e inspeções. A companhia também afirmou que a água é limpa e filtrada, que fornece três refeições por dia e que os preços dos produtos são semelhantes aos de lojas de conveniência.

O Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos declarou que os detidos recebem três refeições diárias, água potável, roupas, roupa de cama, chuveiro, sabão e artigos de higiene. Também afirmou que há acesso a telefones e que as refeições são avaliadas por nutricionistas certificados.

A advogada Kristin Etter, do Conselho Legal de Imigração do Texas, chamou Revkin de fada-madrinha e disse que as famílias não conseguiriam sobreviver sem a assistência. Revkin afirma que se coloca no lugar dos pais que não conseguem oferecer aos filhos itens básicos.

Depois de sair de Dilley, Sánchez continuou recebendo apoio. Segundo ele, a organização ajudou a família com alimentação e, quando as crianças começaram as aulas, com materiais escolares. O nome foi alterado a pedido do entrevistado para proteger sua identidade.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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