A Anistia Internacional pediu nesta quinta-feira (24) a extinção do ICE, agência de imigração dos Estados Unidos, após reunir em um relatório casos que classifica como violações generalizadas de direitos humanos durante operações contra imigrantes.
O documento foi divulgado menos de uma semana depois de Wilber Garces Perez, imigrante venezuelano de 28 anos, ser baleado por um agente do ICE em Austin, no Texas. O episódio se soma a outros incidentes envolvendo a agência, que passaram a ser alvo de pedidos de responsabilização por parte de organizações de defesa dos direitos humanos.
Em janeiro, Renee Good e Alex Pretti, cidadãos americanos, morreram após serem baleados por agentes federais enquanto testemunhavam operações em Minneapolis. Os dois foram mortos na rua, durante o dia, com menos de três semanas de diferença.
Depoimentos em quatro cidades
A análise da Anistia Internacional reúne mais de 150 depoimentos coletados entre março e junho em Chicago, Nova Orleans, Minneapolis e Washington. Essas estão entre as principais cidades nas quais o ICE concentrou suas operações. Em alguns episódios, outras agências federais participaram das ações.
A organização afirmou que o ICE não pode ser reformado e defendeu sua abolição como condição para que os Estados Unidos tenham um sistema de aplicação das leis de imigração compatível com o direito e as normas internacionais de direitos humanos. “O ICE está fundamentalmente quebrado e não pode ser consertado”, disse Nadia Daar, diretora-executiva da Anistia Internacional nos EUA.
O relatório também sustenta que o governo de Donald Trump implementa um sistema de detenção e deportação em massa, baseado em narrativas racistas, xenófobas e falsas, com o objetivo de deter e deportar o maior número possível de imigrantes, solicitantes de asilo e refugiados.
Para a organização, os casos registrados não são incidentes isolados ou excepcionais, mas integram um padrão recorrente de condutas durante as operações.


