O Pet Shop Boys transformou a trajetória de Alan Turing em A Man From the Future, seu primeiro álbum conceitual. O disco chega às plataformas nesta sexta-feira, 9, com oito faixas baseadas na história do matemático inglês, pioneiro da computação e dos algoritmos.
As músicas foram apresentadas pela dupla em 2014, durante um concerto único no Royal Albert Hall, em Londres, para 5 000 pessoas. A versão lançada agora combina os sintetizadores do grupo com as cordas da orquestra camerata de Manchester, um coral e a narração da atriz Juliet Stevenson, que inclui trechos da biografia escrita por Andrew Hodges.
Turing contribuiu para a derrota da Alemanha na II Guerra Mundial ao criar uma máquina capaz de decifrar códigos nazistas. Em 1952, foi condenado por sua homossexualidade, então considerada crime no Reino Unido, e aceitou a castração química para evitar a prisão. Morreu em 1954, envenenado por cianeto.
O álbum não se limita à reconstituição desses acontecimentos. A narrativa procura apresentar também o universo imaginado por Turing e termina com uma visão otimista de um futuro mais livre e de computadores filosóficos. “Tanto na vida profissional quanto na pessoal, ele estava à frente de seu tempo”, disse Neil Tennant, integrante do Pet Shop Boys.
A reparação oficial demorou. Em 2017, a Lei Turing perdoou postumamente 49 000 homens condenados pela mesma legislação na Inglaterra e no País de Gales.
A obra também se insere em uma tradição de discos inspirados por biografias e mortes. Em 1975, Bob Dylan contou em Hurricane a história do boxeador Rubin Carter. Em 1973, Rick Wakeman dedicou um disco instrumental à biografia de Henrique VIII. Após a morte de Andy Warhol, em 1987, Lou Reed e John Cale gravaram Songs for Drella, lançado em 1990, sobre a vida do artista.


