Thiago Andreuccetti, 43 anos, começou a atuar em uma encenação da Paixão de Cristo na igreja matriz de Santo André e hoje integra o elenco de Alegría, espetáculo do Cirque du Soleil em turnê pelo Brasil. Nascido em São Bernardo do Campo, ele cresceu na cidade vizinha, na casa da avó Romaria, com a mãe e a irmã.
A convivência familiar aproximou Andreuccetti da arte desde cedo. Seu pai havia sido ator, um tio era cantor e algumas tias eram professoras de artes e palhaças, além de fundadoras da Escola Picadeiro. O artista afirma que, nesse ambiente, ser palhaço não parecia uma escolha profissional, mas algo incorporado à rotina da família.
Do teatro ao circo
Aos 13 anos, começou no teatro amador. Aos 15, tornou-se monitor em um acampamento de férias, mas continuou interessado na atuação. No começo dos anos 2000, passou a criar esquetes inspirados em Chaplin, Buster Keaton e na comédia física.
De 2003 a 2006, integrou a Companhia Lúdica, da Fundação das Artes, e atuou em hospitais. Foi nesse período que conheceu, por meio de um DVD do espetáculo Quidam, o trabalho do Cirque du Soleil. A combinação de balé, música clássica, instrumentos em cena e diferentes linguagens, sem a presença de animais, fez com que ele passasse a imaginar uma carreira na companhia.
A trajetória profissional foi marcada pela combinação de trabalhos e pela instabilidade financeira. Andreuccetti relata que chegou a exercer duas ou três atividades ao mesmo tempo, sem carteira assinada, fundo de garantia ou convênio médico. Também conta que aceitou funções de que não gostava e que, em algumas ocasiões, precisou vender a janta para pagar o almoço.
Em 2017, participou do casting do Cirque du Soleil, no Rio de Janeiro, e foi aprovado. No ano seguinte, subiu ao palco pela primeira vez como artista da companhia, no espetáculo Amaluna. Depois de duas décadas de carreira em teatros, ruas e hospitais, precisou adaptar sua atuação a um palco em que a comunicação dependia também do olhar e das costas, por causa da disposição do público.
A nova fase ampliou suas viagens e o contato com outros idiomas. Ele afirma ter aprendido a se comunicar até em russo. Em cena, seu personagem é um palhaço que fracassa, tenta se encaixar, cai, bate a cabeça e erra. Para Andreuccetti, essa dimensão aproxima o personagem da plateia, porque, enquanto os acrobatas realizam movimentos extraordinários, o palhaço expõe uma condição humana.
O artista diz que passou a compreender o fracasso de outra maneira. A cada apresentação, considera possível aprender mais com o que deu errado do que com o que funcionou. Ao fim, a lógica é tentar novamente, desmontar a tenda, mudar de cidade e começar de novo.


