A China e os Estados Unidos estenderam a trégua comercial por dois meses, até 10 de janeiro, e concordaram em aplicar tarifas menores a US$ 60 bilhões em mercadorias negociadas entre os dois países. O entendimento também prevê novas discussões sobre agricultura, investimentos, inteligência artificial e transporte aéreo.
O Ministério do Comércio da China afirmou nesta segunda-feira (28) que o prazo adicional permitirá avaliar o acordo em andamento sobre questões econômicas e comerciais. O órgão disse que a extensão cria um "ambiente político relativamente estável e previsível" para a cooperação empresarial e a continuidade das negociações.
Produtos incluídos
Cada governo recomendou US$ 30 bilhões em bens considerados não sensíveis para receber tratamento tarifário mais favorável. Para os Estados Unidos, a medida representa acesso ampliado ao mercado chinês para cerca de 30% de suas exportações destinadas ao país, segundo o Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, em comunicado divulgado no domingo (27).
As reduções planejadas pela China abrangem produtos agrícolas americanos como milho, trigo, sorgo, carne, laticínios, óleos vegetais e farinhas. A soja não aparece na lista divulgada pela Casa Branca. Também estão previstos cortes para peixes e frutos do mar, toras e produtos de madeira, cosméticos e dispositivos médicos.
Na relação de produtos chineses que terão tarifas reduzidas pelos Estados Unidos estão pequenos eletrodomésticos, como cafeteiras e torradeiras, além de louças, cobertores, roupas de cama, brinquedos, fogos de artifício, flores artificiais, luzes para árvores de Natal, outros artigos de decoração festiva e cadeirinhas infantis para carros.
Agricultura e energia
A seleção chinesa parece relacionada ao compromisso de US$ 17 bilhões em compras de produtos agrícolas mencionado pela Casa Branca. A China retomou a aquisição em grande escala de soja dos Estados Unidos dentro de um acordo firmado no ano passado, que prevê 25 milhões de toneladas métricas por ano.
Os dois países formarão um grupo de trabalho sobre agricultura, subordinado a um conselho comercial. A primeira reunião deverá ocorrer antes do fim do ano, com discussões sobre acesso recíproco aos mercados e regulamentação.
Também foi acertada a importação anual, pela China, de 10 milhões de toneladas métricas de carvão dos Estados Unidos em 2027 e 2028. De acordo com a Casa Branca, esse volume corresponde aproximadamente a 2% das compras anuais chinesas do produto. Gás natural liquefeito e petróleo ficaram fora da lista.
Finanças e tecnologia
China e Estados Unidos estabelecerão um canal de comunicação para tratar de incidentes relacionados à inteligência artificial e realizarão uma nova rodada de diálogo até o final de novembro.
O governo chinês também analisará e aprovará instituições estrangeiras de serviços financeiros, incluindo empresas com capital norte-americano, para operar e abrir filiais no país. Os governos manterão ainda comunicação sobre a possibilidade de ampliar o número de voos entre os dois territórios.


