PARIS — A família de Bernard Arnault planeja concentrar em uma única holding sua participação na LVMH, grupo que reúne marcas como Louis Vuitton e Tiffany. A operação pretende reforçar a continuidade do controle familiar sobre a companhia e ainda depende da aprovação dos acionistas da Christian Dior.
O plano prevê a incorporação de duas camadas de holdings familiares pela Christian Dior. Depois, a empresa será rebatizada de Agache e transformada em uma SCA, sociedade em comandita por ações usada na França para preservar o controle de empresas ao longo das gerações.
Com a reorganização, a família Arnault reunirá na nova estrutura 49,76% das ações da LVMH e 65,55% dos direitos de voto. A proposta foi apresentada ao conselho de administração da Christian Dior. Em comunicado, a holding afirmou que o objetivo é “garantir a continuidade do controle da família Arnault sobre a LVMH”.
A criação da Agache SCA deverá ampliar as proteções dos controladores e dificultar que outros acionistas assumam o comando da LVMH. A Christian Dior declarou que, após a conclusão da operação, o controle será exercido por uma única empresa listada na Euronext Paris há mais de 30 anos.
Aprovação e oferta aos minoritários
Uma assembleia extraordinária da Christian Dior está prevista para dezembro. Caso a operação seja aprovada, será lançada no primeiro trimestre de 2027 uma oferta pelos 2,44% das ações que estão nas mãos de acionistas minoritários. A proposta dependerá da aprovação dos reguladores franceses.
O pagamento será feito em dinheiro. As ações somavam 1,63 bilhão de euros (R$ 9,58 bilhões) no fechamento do mercado na terça-feira (22). A operação não prevê a venda compulsória das participações dos demais acionistas minoritários.
A reorganização é a maior mudança na estrutura de propriedade da família desde 2022. Naquele ano, Bernard Arnault transformou uma holding familiar em uma SCA, estabeleceu voto igualitário entre seus filhos e passou a exigir unanimidade em decisões importantes da LVMH.
Em 2017, Arnault havia simplificado outras holdings e comprado a participação de acionistas minoritários da Christian Dior. Com a operação, a participação econômica da família na LVMH passou de 36% para quase 47%.
A LVMH é avaliada em 194 bilhões de euros (R$ 1,14 trilhão). Bernard Arnault, 77, ocupa o cargo de presidente-executivo e afirmou que não pretende deixá-lo no futuro próximo. Seus cinco filhos exercem funções operacionais no grupo, além de participarem da gestão e de conselhos de administração das holdings familiares. Um deles deverá sucedê-lo no futuro.
No balanço do segundo trimestre, divulgado no fim de julho, a divisão de moda e artigos de couro da LVMH registrou crescimento das vendas pela primeira vez em dois anos.


