O mercado de carros clássicos está incorporando preferências de colecionadores mais jovens, com maior interesse por modelos fabricados nas décadas de 1980 e 1990. A mudança também movimenta os preços: a Hagerty, seguradora de Michigan especializada em veículos clássicos, informou que o valor desses carros subiu 48% nos últimos cinco anos.
Durante décadas, os baby boomers concentraram o hobby e favoreceram cromados, rabos de peixe e muscle cars das décadas de 1950 e 1960. Agora, integrantes mais novos das gerações X e Y chegam a uma fase de maior renda e procuram veículos associados à própria infância e juventude.
Hallie Krala, 39, de Allentown, na Pensilvânia, reúne uma AMC Eagle Wagon 1984, um Mercury Topaz 1992 e vários Ford Escort da década de 1980. Ela afirma nunca ter pago mais de US$ 1.000 por um carro e valoriza tanto o visual quanto a experiência ao volante.
“Gosto, sim, da estética dos carros dos anos 1980, e eles são funcionais”, disse Krala.
Preços e dirigibilidade
Apesar da valorização, os modelos das décadas de 1980 e 1990 continuam relativamente acessíveis. Segundo dados da Hagerty, um Mazda RX-7 1995, um Nissan 300ZX 1992, um Porsche 944 1984 ou um Ford Mustang 1987 pode ser encontrado por US$ 25 mil ou menos.
A dirigibilidade também pesa na escolha. Em geral, os veículos da chamada era RADwood são menores e mais leves, além de terem direção e freios melhores, ainda que sejam menos potentes. Para parte dos entusiastas, a ausência de telas em carros de 30 ou 40 anos reforça o interesse por esses modelos.
McKeel Hagerty, CEO da seguradora, classificou o segmento como relevante e disse que a empresa comprou a RADwood em 2022. A organização promove eventos dedicados a automóveis das décadas de 1980 e 1990.
No Crazy ’80s Car Museum, em Dwight, no Illinois, o proprietário Rick Roggenburg preserva modelos como Buick Skyhawk, Plymouth Horizon e Subaru XT. O espaço funciona em uma antiga loja de móveis nos arredores da Rota 66, abre alguns dias por semana e aceita doações.
Clubes buscam novos integrantes
O Classic Car Club Manhattan, cofundado por Michael Prichinello, tinha cerca de 1.000 integrantes, com idade média estimada em aproximadamente 40 anos. Cerca de metade era, segundo ele, inequivocamente da geração X. Para atrair participantes, o clube organiza encontros de carros e café, reuniões para assistir a corridas de Fórmula 1 e expedições off-road. Também abriu uma sede em Midtown Manhattan.
O M1 Concourse, em Pontiac, no Michigan, mantém uma pista de 2,4 quilômetros e instalações para guardar veículos. O clube promove festas de Halloween com distribuição de doces, encontros de carros e café e dias de pista. John R. Warner, gerente de parcerias automotivas, afirmou que é necessário acompanhar as mudanças demográficas e acolher um público mais jovem.
A categoria, porém, reúne perfis distintos. Um Ford Escort do início dos anos 1980 tem preço e desempenho muito diferentes dos de um Corvette dos anos 1990 com motor V8. Com a entrada de mais colecionadores, a tendência é que o segmento se divida em grupos mais específicos.
A Hagerty informou que 34% das cotações de seguros emitidas em 2026 foram para baby boomers, ante 33% para a geração X. A geração Z representava 1,1% da base de clientes da empresa. Preston Rose, 29, gosta de carros das décadas de 1980 e 1990 e também possui um Chevy 1951. Para ele, novas gerações poderão se interessar pelos carros da década de 2010.


