São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00%
Notícia com critério
Economia

Mensagens de ex-sócio expõem cobranças e lobby ligados a Flávio Bolsonaro

Alexandre Santini reuniu mensagens, documentos e fotos e pressionou o senador durante disputa sobre a antiga sociedade em uma loja de chocolates.

Segredos de Flávio: mulheres, negócios, um Rolex de R$ 300 mil e lobby com Kassio

Mensagens, documentos, fotos e gravações reunidos por Alexandre Ferreira Dias Santini mostram a pressão exercida sobre Flávio Bolsonaro durante a disputa pelo encerramento da sociedade em uma loja da Kopenhagen no Rio de Janeiro. O material inclui cobranças financeiras, relatos sobre encontros privados, pagamentos feitos por parceiros do senador e uma ameaça relacionada a uma tratativa com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal.

Santini foi sócio de Flávio na Bolsotini Chocolates e Café Ltda., empresa ligada a uma franquia que apareceu nas investigações sobre as rachadinhas no gabinete do então deputado estadual. A loja acabou fechada. O ex-sócio afirma que ficou no prejuízo e passou a cobrar um acordo, enquanto mantinha sob sua guarda registros de situações vividas durante a amizade com o senador.

A disputa entre os ex-sócios

O rompimento ocorreu durante a campanha de Jair Bolsonaro à reeleição, em 2022. Santini procurou Fernanda Bolsonaro, mulher de Flávio, e mostrou fotos e mensagens que, segundo ele, registravam a participação do senador em encontros com garotas de programa. Ele também teria organizado parte dessas reuniões e administrado despesas que Flávio não assumia diretamente.

A crise atingiu o casamento do senador e mobilizou integrantes da campanha de Jair Bolsonaro. Santini continuou próximo de Fernanda, que era sua dentista em Brasília, e usava os contatos para cobrar uma solução financeira. Em 2023, o escritório do advogado Willer Tomaz passou a tratar de um possível acordo em nome de Flávio, mas as negociações não avançaram.

Em 28 de setembro de 2023, Santini enviou uma notificação extrajudicial ao gabinete do senador cobrando R$ 1,4 milhão. No documento, afirmou que Flávio havia investido R$ 200 mil em dinheiro vivo no negócio. O senador não respondeu à notificação.

Em uma mensagem ao ex-sócio, Flávio reconheceu ter feito “muitas escolhas erradas” e pediu que Santini se afastasse de Fernanda. O ex-sócio respondeu que a mensagem poderia ter sido enviada à pessoa errada.

Presentes e despesas

Os registros também descrevem gastos atribuídos a amigos e parceiros de Flávio durante o período em que Jair Bolsonaro ocupava a Presidência. Entre eles está a compra de equipamentos de academia para uma casa adquirida pelo senador em Brasília, avaliada em R$ 5,9 milhões. As notas fiscais indicariam despesas superiores a R$ 90 mil.

O material inclui ainda a compra de um relógio Rolex de ouro branco, modelo Submariner Date, feita por Alan Belaciano em 10 de fevereiro de 2022. A nota fiscal, emitida em nome do advogado, registrou o valor de R$ 305 mil. Mensagens mantidas por Santini associam o presente a Flávio.

Santini também teria arcado com despesas menores, como uma televisão de 75 polegadas e mensalidades de academia frequentada pelo casal. Flávio afirmou que os equipamentos haviam sido comprados por um amigo de longa data como empréstimo pessoal e classificou as acusações do ex-sócio como infundadas.

A negociação envolvendo o STF

No fim de 2023, Santini voltou a pressionar Flávio e mencionou uma conversa do senador com Kassio Nunes Marques sobre os interesses de um cliente que tinha processo no gabinete do ministro. Segundo a mensagem, Alan Belaciano cuidaria do caso e um jantar teria sido marcado com a participação do chefe de gabinete.

O gabinete de Kassio afirmou que é praxe atender parlamentares de todos os partidos, mas não respondeu especificamente sobre pedidos feitos por Flávio. Depois da mensagem, o senador marcou uma reunião com Santini em seu gabinete. O conteúdo do encontro não foi informado.

Santini comunicou posteriormente a pessoas que haviam recebido parte de seu material que a disputa estava encerrada. A relação entre os dois havia começado no Rio de Janeiro, no começo dos anos 2000, e se estreitado até a participação conjunta na loja de chocolates e em outras atividades empresariais.

Os arquivos também registram contatos de Santini com Fabrício Queiroz e Frederick Wassef, personagens ligados ao entorno político e pessoal da família Bolsonaro. Queiroz teria usado o ex-sócio como intermediário para pedir ajuda financeira a Flávio. Wassef atribuiu a um habeas corpus de sua autoria no STF a interrupção de atos relacionados às investigações das rachadinhas.

A disputa incluiu ainda uma negociação comercial conduzida por Flávio, então deputado estadual, para vender chocolates à associação de funcionários do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro. Ele ofereceu desconto de 7,5% e informou que o pedido custaria R$ 50 mil.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.