SÃO FRANCISCO — A Nvidia avalia diferentes formas de aprofundar sua relação com a Reflection AI, startup americana que desenvolve modelos de inteligência artificial de pesos abertos. A empresa já é uma das principais acionistas da companhia e discute desde um novo investimento até o fornecimento de chips e capacidade computacional.
As negociações ainda estão no início e podem não resultar em acordo. Uma possibilidade é o chamado acqui-hire, modelo em que a Nvidia contrataria funcionários da Reflection e licenciaria sua tecnologia, sem concluir uma aquisição integral. Também está em análise a ampliação da participação financeira na startup.
Um entendimento pode ser alcançado nas próximas semanas, mas os termos ainda não foram definidos. A Reflection foi avaliada pela última vez em US$ 25 bilhões (quase R$ 125 bilhões), em uma rodada de financiamento realizada em março. As duas empresas não quiseram comentar.
A startup apresentou nesta semana seu primeiro produto público e personalizável de inteligência artificial. O modelo funciona com chips da Nvidia, e a Reflection afirma que seu desempenho está no mesmo nível do GLM-5.2, desenvolvido pela chinesa Z.ai. A empresa é vista como um ativo estratégico para os Estados Unidos na disputa tecnológica com concorrentes chineses, entre eles a DeepSeek.
Os fundadores da Reflection, Misha Laskin e Ioannis Antonoglou, trabalharam anteriormente no Gemini, modelo de inteligência artificial do Google. A startup também mantém parcerias com o Pentágono e o Departamento de Energia, além de acordos para desenvolver modelos destinados a aliados americanos, como a Coreia do Sul.
A Nvidia já investiu US$ 800 milhões (R$ 4 bilhões) na Reflection. Entre os demais investidores estão Sequoia Capital, Disruptive e 1789 Capital, empresa da qual Donald Trump Jr. é sócio.
A aproximação ocorre enquanto a Nvidia amplia sua atuação no segmento de modelos de pesos abertos, que podem ser personalizados e executados no hardware dos próprios usuários. Para empresas, esses sistemas podem ter custo de operação inferior ao de versões mais avançadas do ChatGPT, da OpenAI, e do Claude, da Anthropic.
A companhia possui a família de modelos Nemotron, mas ainda não conta com um modelo próprio de grande escala na fronteira tecnológica. Em julho, Jensen Huang, diretor-presidente da Nvidia, defendeu a criação de um ecossistema nacional de modelos abertos. Em setembro, a empresa concordou em comprar a Hugging Face por US$ 13 bilhões (R$ 65 bilhões).


