O presidente da Microsoft, Brad Smith, defendeu a criação de regras internacionais para a inteligência artificial com mecanismos de fiscalização semelhantes aos aplicados a produtos regulados. Para ele, sistemas de IA ainda enfrentam exigências de segurança menores do que itens comuns, como leite e máquinas de lavar.
Em entrevista à BBC publicada na segunda-feira (12), Smith afirmou que novos desenvolvimentos deveriam passar pela análise de avaliadores independentes. Ele também propôs que usuários afetados pela ação de um agente de IA fora de controle sejam informados e que os sistemas tenham um dispositivo para interrupção imediata.
Outra medida citada pelo executivo é a obrigação legal de as empresas produzirem relatórios sobre incidentes. Smith disse que procedimentos usados em outros setores podem servir de referência para a tecnologia. “Devemos aproveitar esse conhecimento e pensar em como aplicá-lo à IA”, afirmou.
Reino Unido como referência
Na avaliação de Smith, o Reino Unido é o país mais bem posicionado para liderar a regulamentação da IA. A justificativa é a existência do Instituto de Segurança de IA, criado durante o governo do ex-primeiro-ministro Rishi Sunak.
O instituto britânico acessa os principais modelos antes de seus lançamentos por meio de acordos voluntários. Com isso, pode examinar as capacidades e os riscos dos sistemas.
Smith também afirmou que autoridades de Washington têm uma visão de Londres diferente daquela adotada em relação a Bruxelas. A União Europeia regulamenta a IA conforme o nível de risco, por meio de sua lei específica para o setor.
O ministro da IA, Kanishka Narayan, disse que o Reino Unido avaliaria regras para modelos avançados se o sistema atual não fosse suficiente.
Empresas como Anthropic e OpenAI começaram a divulgar comportamentos descontrolados ou indesejados de agentes de IA. A prática integra um debate internacional sobre o avanço da tecnologia, que também inclui alertas de pesquisadores sobre uma possível ameaça existencial à humanidade no futuro.
Algumas companhias defendem a redução do ritmo de desenvolvimento. A proposta, porém, gerou discussão sobre possíveis interesses empresariais, como preservar posições de liderança, antecipar medidas governamentais ou conter o aumento dos gastos.

