PEQUIM — A China defendeu a preservação de uma relação militar estável com os Estados Unidos e pediu que Washington aja com extrema cautela em relação a Taiwan e à venda de armas para a ilha. A declaração foi feita pelo porta-voz Jiang Bin horas antes do encontro entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump, em Washington D.C.
Jiang afirmou que a questão de Taiwan ocupa a posição central na relação bilateral. Para ele, a manutenção da paz e da estabilidade no Estreito de Taiwan representa o principal interesse compartilhado pelos dois países. “Espera-se que o lado americano trate a questão de Taiwan com extrema cautela”, disse.
Disputa sobre armamentos
O governo Trump aprovou em dezembro um pacote de armas para Taiwan no valor de US$ 11 bilhões (cerca de R$ 56,9 bilhões), considerado o maior já realizado. Um novo pacote, estimado em US$ 14 bilhões (R$ 72,3 bilhões), permanece travado há meses.
Trump afirmou, após uma reunião com Xi em Pequim, em maio, que mantinha a segunda operação suspensa e a classificou como uma “moeda de negociação muito boa”. Xi deve pressionar o presidente americano a interromper completamente as vendas de armas para Taiwan durante a visita a Washington.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que o governo precisa conciliar as vendas destinadas à ilha com necessidades mais amplas. “Se vendermos algo para vocês, não teremos mais aquilo”, afirmou em Nova York.
Posição de Taiwan
A porta-voz do gabinete de Taiwan, Michelle Lee, afirmou que o governo acompanha os acontecimentos ligados à reunião entre Trump e Xi e mantém contato próximo com os Estados Unidos. Ela disse que Taipei considera positiva toda iniciativa voltada à estabilização regional e agradeceu o apoio americano.
Xi chegou a Washington na quarta-feira. Além das reuniões bilaterais nesta quinta-feira (24), os dois presidentes farão discursos, trocarão presentes e participarão de um jantar de Estado no Kennedy Center. A visita de Xi é a primeira aos Estados Unidos em quase uma década.


