FORT PORTAL — A cerimônia que apresentará Edward Rukidi Nyabongo como novo rei do Reino de Tooro, em Uganda, ocorre nesta terça-feira (29) sob contestação da rainha-mãe, Best Kemigisa. Ela afirma que o testamento do antigo monarca, Oyo Nyimba, não foi respeitado e diz que ele deixou um filho pequeno cuja identidade ainda não foi divulgada.
Nyabongo não estava entre os primeiros nomes da linha sucessória. Ele foi escolhido pelos anciãos do clã governante Babiito entre um grupo de príncipes elegíveis, após a morte de Oyo, vítima de câncer aos 34 anos em agosto. O novo rei trabalhou por muitos anos como apresentador e editor da Uganda Broadcasting Corp. e adotou o nome real de Edward Rukidi Nyabongo.
Antes da apresentação oficial aos súditos, o príncipe participou de rituais durante a noite e foi levado ao palácio. A coroação será realizada em Fort Portal, cidade no oeste de Uganda, próxima à fronteira com a República Democrática do Congo. Milhares de pessoas devem acompanhar o evento presencialmente e pela televisão.
Contestação à sucessão
Kemigisa afirma que a existência do suposto filho de Oyo coloca em dúvida a legitimidade da escolha de Nyabongo. A imprensa local relatou desentendimentos durante o funeral do antigo rei, realizado em 12 de setembro, incluindo uma breve disputa pela custódia dos restos mortais.
O suposto filho ainda não foi apresentado publicamente. Fotos atribuídas a um “Baby Oyo” circularam nas redes sociais, enquanto críticos disseram que a criança, caso exista, deveria ter sido apresentada aos anciãos quando o pai ainda estava vivo.
Em entrevista ao jornal local New Vision, Nyabongo prometeu promover a unidade. “A herança deve vir acompanhada de disciplina e trabalho duro”, afirmou.
Tradição sem poder formal
As monarquias tradicionais de Uganda foram proibidas na década de 1960, depois da independência do domínio colonial britânico, e restauradas em 1993. Seus líderes não têm autoridade formal, são impedidos por lei de participar da política partidária e mantêm influência como guardiões da cultura tradicional.
Oyo foi coroado em 1995, aos 3 anos, após a morte do pai. Ele foi orientado por regentes até alcançar a maioridade, aos 18 anos, e ficou conhecido por sua coroação na infância e por suas aparições com trajes coloridos. Entre os líderes mundiais que o conheceram esteve Nelson Mandela. Muammar Gaddafi também manteve proximidade com a família real de Tooro até sua morte, em outubro de 2011.
Nicholas Sengoba, analista político de Uganda, defendeu a decisão dos Babiito, mas reconheceu que ela pode enfrentar resistência. “Muitas dessas decisões podem não ser populares”, afirmou.


