O Irã apresentou condições para retomar as negociações com os Estados Unidos, enquanto representantes dos dois países voltaram a se reunir à margem da Assembleia Geral da ONU. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que Teerã não pretende prolongar a guerra e que cabe a Washington decidir se quer encerrá-la.
As exigências iranianas incluem a aceitação da rota do estreito de Hormuz acordada com Omã, o fim das sanções e do bloqueio naval, a liberação de ativos congelados e o encerramento da guerra em todas as frentes. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que essas condições foram comunicadas por meio de um mediador do Qatar.
Retomada das conversas
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, participou de uma reunião com o enviado do presidente americano Donald Trump, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro de Trump. As conversas diretas foram retomadas após o fim de junho.
Em entrevista exibida nesta quinta-feira (24), Pezeshkian disse que o Irã está disposto a negociar um acordo com Trump. Ao questionar o colapso de um cessar-fogo, afirmou: “Por que, duas semanas após a assinatura de um acordo, eles decidiram destruí-lo?”
Na Assembleia Geral da ONU, o presidente iraniano declarou que o país não iria “se ajoelhar” diante de Washington. Ele também atribuiu a Israel as instigações que, segundo sua avaliação, levaram à guerra.
Houthis e acusações regionais
Pezeshkian negou que os houthis recebam ordens do governo iraniano. Segundo ele, o grupo é responsável pelas próprias ações, embora haja contatos entre as partes e não uma relação sistemática.
O vice-presidente iemenita, Abdullah al-Alimi-Bawazir, acusou os houthis de servir a uma agenda iraniana durante discurso na ONU. A Arábia Saudita afirmou ter interceptado novos mísseis balísticos e emitido alertas para várias regiões, incluindo Meca.
Os houthis são acusados por Washington, pela Arábia Saudita e pelo governo iemenita apoiado por Riad de receber apoio do Irã. O grupo lançou mísseis contra o território saudita, combate forças apoiadas por Riad e atacou petroleiros e áreas costeiras no mar Vermelho.


