São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Internacional

Mísseis balísticos reduzem tempo de reação dos moradores de Kiev

Aumento dos ataques russos levou moradores a deixar a capital, adaptar abrigos e enfrentar interrupções no transporte e na rotina.

Mísseis balísticos reduzem tempo de reação dos moradores de Kiev

A mudança no tipo de armamento usado pela Rússia reduziu o tempo disponível para os moradores de Kiev se protegerem durante os ataques. Mísseis balísticos, que viajam em alta velocidade, podem ser detectados apenas instantes antes de atingir seus alvos ou ao mesmo tempo que as primeiras explosões.

A consequência foi percebida por Daria, de 27 anos. Durante boa parte da invasão, ela conseguia dormir mesmo quando explosões ocorriam perto de seu apartamento. Em uma noite de maio, porém, as ondas de choque fizeram as janelas se abrirem e baterem repetidamente. “Foi aí que percebi que estava com muito medo”, disse.

Em junho, após a morte de uma jovem mãe que corria para um abrigo, Daria deixou Kiev e voltou para a casa da família em Romankiv, a 30 km da capital. Ela ainda trabalha no setor de defesa em Kiev e passa quatro horas por dia no trajeto entre as duas cidades.

Dados do governo indicam que Kiev registra atualmente mais alertas de ataques aéreos por dia do que em qualquer outro período desde o início da invasão russa, em 2022. Nos dez primeiros dias de julho, a Rússia lançou dezenas de mísseis balísticos em três grandes ataques, que mataram quase 60 civis. Ofensivas de proporções semelhantes ocorreram em agosto e setembro.

Abrigos e rotina familiar

Para moradores que não podem deixar a cidade, a proteção depende de improvisos. Olha Vlasova, 62, vive no sétimo andar com a mãe, Nadia Tsybina, 98. Como Nadia não consegue sair da cama, Olha cobre a mãe com um cobertor, coloca um colchão na janela e se esconde em um guarda-roupa protegido por duas paredes. Nadia usa um travesseiro para proteger o rosto de estilhaços.

A família também acompanha os ataques pelo som. Nadia afirma ter ouvido menos interceptações durante este verão. “É angustiante quando não há nada para derrubá-los”, disse.

Os alertas passaram a interromper atividades durante o dia. No início de setembro, após a volta das crianças às aulas, dezenas de alarmes foram acionados, seguidos por explosões e incêndios. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, informou que duas crianças ficaram feridas nos ataques de 31 de agosto. Muitas crianças permaneceram em casa, enquanto outras passaram horas em porões de escolas e creches.

Com os alarmes, shopping centers fecham e estações de metrô na superfície suspendem o funcionamento. As conexões entre as margens esquerda e direita da cidade, separadas pelo rio Dnieper, podem ficar interrompidas por horas. Para Olha, o problema dificulta as visitas à neta de oito anos. Uma corrida de táxi para atravessar o rio pode custar até 1.000 grívnias ucranianas, cerca de R$ 120.

Planos para cada ataque

Natalia Bushkovska, mãe de dois filhos, mantém três alternativas para a família. A primeira é ficar no corredor, atrás de duas paredes internas; a segunda, usar o corredor compartilhado do prédio; a terceira, descer ao porão. Ela deixa uma mochila preparada com itens essenciais, incluindo um torniquete e um apito. Os filhos também aprenderam a usar o equipamento em um curso de primeiros socorros.

Natalia afirma que os ataques são exaustivos e prejudicam o sono. A filha de nove anos costuma acordar, enquanto o filho, de 12 anos, muitas vezes continua dormindo. Para ela, a recuperação depois das noites de bombardeio ficou mais difícil.

Na quinta-feira (17), um ataque russo com mísseis balísticos contra Kiev deixou 20 pessoas feridas, segundo Vitali Klitschko. Entre os feridos estavam duas crianças, de 10 e 12 anos.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.