O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quinta-feira (1º) que o copiloto que atacou o piloto de um voo da FlyDubai havia passado por um processo de radicalização islâmica. O homem, cidadão de Omã, foi preso depois que a aeronave pousou na Arábia Saudita.
Netanyahu disse que o copiloto recebeu doutrinação radical islâmica, mas não apresentou detalhes sobre um eventual treinamento. Na quarta-feira (31), autoridades israelenses haviam informado que o homem agiu sozinho e não tinha ligação conhecida com grupo terrorista ou Estado.
O premiê classificou o episódio como ataque terrorista e afirmou que poderia saber, em questão de dias, se o Irã teve participação. Ao mesmo tempo, reconheceu que ainda não era possível determinar quem estava por trás do incidente. O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, declarou que Israel considerava o ataque cometido por um indivíduo radical, sem ligação estabelecida com um Estado ou organização terrorista.
O voo FZ1073 havia saído de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com destino a Tel Aviv, em Israel. Quando a aeronave se aproximava do espaço aéreo israelense, o copiloto esfaqueou o piloto. O confronto deixou o avião sem controle por algum tempo e provocou uma queda de cerca de 4.300 metros em aproximadamente 30 segundos, conforme os registros de monitoramento aéreo.
Passageiros e tripulantes conseguiram conter o copiloto. O avião emitiu sinais de emergência enquanto sobrevoava a Jordânia, incluindo o código internacional de sequestro, e mudou bruscamente a rota para a Arábia Saudita. Apesar dos ferimentos dos dois pilotos, a aeronave pousou em segurança em Tabuk. O piloto, o copiloto e passageiros receberam atendimento médico.
Passageiro ajudou a recuperar o controle
Yaniv Hayun, um encanador israelense que estava entre os passageiros, afirmou ter entrado na cabine ao perceber a briga. Ele disse que puxou os controles para cima e interrompeu a descida do avião. Netanyahu o recebeu no aeroporto de Ben Gurion e o elogiou pela atuação.
A FlyDubai informou que a tripulação realizou o pouso, sem especificar quais integrantes participaram da operação. Passageiros relataram que pilotos que viajavam como passageiros assumiram os comandos. O governo israelense também pediu que caças sauditas escoltassem a aeronave, mas a solicitação foi recusada.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, afirmou que o agressor pretendia matar os israelenses a bordo. Segundo o governo israelense, 100 dos 180 passageiros eram cidadãos de Israel.
A FlyDubai suspendeu todos os voos para Israel após o episódio. A empresa opera voos diários entre Dubai e Tel Aviv. O copiloto foi interrogado pelas autoridades sauditas, que abriram uma investigação. Netanyahu também afirmou que Israel investigava as circunstâncias do caso.


