O terremoto que atingiu o sul do Panamá nesta sexta-feira (9) teve a magnitude revisada de 8,0 para 7,7 depois da análise de novos dados registrados por estações sismológicas. O tremor foi sentido em várias regiões do país, incluindo a capital, e levou à emissão de alertas de tsunami para países da costa do Pacífico.
O abalo ocorreu a 12 quilômetros de profundidade. Tremores rasos costumam transferir mais energia para a superfície e podem ser sentidos com maior intensidade do que eventos semelhantes registrados em maiores profundidades.
O que a magnitude mede
A magnitude indica a quantidade de energia liberada por um terremoto em sua origem. Ela expressa o tamanho do evento sísmico e é única para cada tremor. Já a intensidade descreve os efeitos observados em cada local atingido.
Por isso, cidades diferentes podem perceber o mesmo terremoto de maneiras distintas. A distância em relação ao epicentro, o tipo de solo, o relevo, a profundidade e a direção da ruptura geológica influenciam os efeitos sobre a população.
Um terremoto entre 7,0 e 7,9 é classificado como de grande porte e pode provocar danos graves, como o desabamento de construções, prejuízos à infraestrutura e destruição em áreas habitadas. A magnitude, porém, não permite determinar sozinha o tamanho dos danos.
O maior terremoto registrado por instrumentos ocorreu no Chile, em 1960, com magnitude 9,5. O Japão, localizado no chamado Anel de Fogo do Pacífico, concentra cerca de 20% dos terremotos de magnitude igual ou superior a 6 registrados no planeta.
Faixas de magnitude
A Michigan Technological University associa diferentes efeitos às faixas de magnitude. Tremores de até 2,5 normalmente não são percebidos pelas pessoas, embora possam ser detectados por sismógrafos. Entre 2,5 e 5,4, costumam ser sentidos e geralmente provocam poucos danos.
Na faixa de 5,5 a 6,0, podem ocorrer danos moderados em edifícios e estruturas. Entre 6,1 e 6,9, os efeitos tendem a ser significativos em áreas densamente povoadas. De 7,0 a 7,9, o terremoto tem potencial para destruição séria e colapso de construções. A partir de 8,0, pode haver devastação extensa e destruição de comunidades inteiras próximas ao epicentro.
Por que o número muda nas primeiras horas
A revisão da magnitude do terremoto no Panamá ocorreu porque os primeiros cálculos são baseados em informações preliminares. À medida que mais estações sísmicas enviam registros, os cientistas conseguem refinar a estimativa.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informa que cada terremoto tem uma única magnitude, mas o valor inicialmente calculado pode ser ajustado até a definição do número mais preciso.
Como os tremores são monitorados
Os sismógrafos registram dados como o horário do tremor e a localização do epicentro, além das vibrações do solo no ponto em que estão instalados. Redes internacionais permitem detectar e analisar terremotos ocorridos a milhares de quilômetros de distância.
A escala Richter continua conhecida e é frequentemente mencionada em reportagens e conversas do dia a dia. Para terremotos de grande porte, entretanto, especialistas usam métodos mais recentes, como a escala de Magnitude de Momento (Mw), que mede com maior precisão eventos especialmente fortes, acima de magnitude 7.


