São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00%
Notícia com critério
Internacional

Papa Leão 14 pede que Igreja enfrente abusos antes de encontro com vítimas na França

Em Lourdes, pontífice também orientou bispos franceses a reforçar medidas de prevenção e reparação contra abusos sexuais.

Papa Leão 14 pede que Igreja enfrente abusos antes de encontro com vítimas na França
Foto: Remo Casilli/Reuters

O papa Leão 14 pediu neste domingo (27) que a Igreja Católica reconheça as próprias falhas e enfrente os danos causados por abusos cometidos dentro da instituição. O apelo foi feito em Lourdes, horas antes de uma reunião com sete vítimas francesas de violência sexual praticada por membros do clero.

Diante de uma multidão estimada em 150 mil pessoas, o pontífice afirmou que a Igreja precisa ter coragem para olhar para o próprio passado. Sem mencionar diretamente os escândalos que provocaram comoção na França, ele disse: "Para curar as feridas profundas, as infidelidades e os erros dolorosos ocorridos em seu interior, devemos nos colocar humildemente sob o olhar purificador do Senhor".

Leão 14 também pediu aos bispos franceses que mantenham a prevenção e a reparação dos abusos sexuais. Em uma reunião fechada com os religiosos, realizada no mesmo dia, mencionou diretamente o abuso contra menores cometido por integrantes do clero, conforme texto divulgado pelo Vaticano.

Encontro com vítimas e medidas da Igreja

Antes de entrar no local da reunião com os bispos, o papa parou diante da escultura "A Criança que Chora", instalada há cinco anos para preservar a memória dos abusos. Ele agradeceu pelas medidas adotadas para enfrentar os casos e pediu que os esforços de proteção continuem com vigilância máxima.

O encontro com as vítimas ocorre após um relatório de 2021 indicar que, ao longo de sete décadas, aproximadamente 330 mil crianças na França sofreram abusos praticados por membros do clero e por líderes leigos católicos. Algumas vítimas demonstraram dúvidas sobre a possibilidade de mudanças rápidas. Michèle Le Reun-Gaigné, copresidente de uma associação de vítimas no oeste francês, afirmou que a questão avança lentamente e que não será resolvida imediatamente.

A visita de Leão 14 à França dura quatro dias. No sábado (26), ele celebrou uma missa ao ar livre em Paris diante de cerca de 800 mil pessoas. Durante a viagem, também voltou a pedir que o mundo reavalie o desenvolvimento da inteligência artificial.

Lourdes e a programação do papa

O roteiro inclui seis eventos em Lourdes, cidade localizada no sopé dos Pireneus e que recebe cerca de 3 milhões de peregrinos por ano no santuário dedicado à Virgem Maria. O local é conhecido também pelas águas de uma fonte às quais são atribuídos poderes de cura.

A fachada do santuário exibe mosaicos do padre Marko Rupnik, acusado de abuso sexual por mais de 20 mulheres. As obras foram cobertas por lonas amarelas durante a visita. Rupnik não fez comentários públicos registrados sobre as denúncias, enquanto cinco supostas vítimas criticaram, em carta aberta ao papa, o processo conduzido pelo Vaticano.

Em Lourdes, Leão 14 reiterou a defesa católica da vida e criticou tendências que, segundo ele, procuram redefinir o valor da vida humana diante da doença. Na sexta-feira, havia reafirmado a oposição da Igreja a iniciativas de morte assistida.

A agenda de domingo previa encontro com bispos às 4h, missa às 6h, reunião com pessoas do centro hospitalar às 10h30, encontro com religiosas às 11h45 e oração e procissão às 16h. Na segunda-feira (28), em Metz, estão previstos compromissos inter-religiosos, uma missa na Catedral de Santo Estêvão e a cerimônia de despedida no aeroporto às 13h30.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.