SÃO PAULO — Oito policiais militares participaram da ação que matou Gustavo Munis de Santana, 20, em Moema, na zona sul de São Paulo. Quatro agentes efetuaram disparos, somando 45 tiros. Segundo o boletim de ocorrência, o jovem foi atingido às 2h45, e o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) só recebeu a informação às 8h40.
Os policiais disseram ter confundido com uma arma o celular que Gustavo segurava. O aparelho foi localizado por peritos perto dos pés da vítima. A Polícia Civil registrou inicialmente o caso como resistência e tratou a ocorrência como legítima defesa.
A Secretaria da Segurança Pública informou que os agentes foram afastados das atividades operacionais e que foi aberto um Inquérito Policial Militar para apurar a conduta deles. As armas usadas pelos policiais foram apreendidas, e as imagens das câmeras corporais serão analisadas. A pasta declarou: "Todos os procedimentos durante e após a ocorrência serão apurados pela secretaria". A SSP não respondeu sobre o intervalo até o aviso ao DHPP.
Horários e perícia
Por volta das 3h30, os policiais militares foram ao 27° DP, no Campo Belo, e relataram o caso aos policiais civis. O DHPP, na região central paulistana, foi comunicado às 8h40. Os agentes saíram do departamento às 10h. A perícia foi realizada no local, e o corpo foi liberado às 11h04 para remoção pelo Instituto Médico-Legal (IML).
O corpo permaneceu na alameda dos Guaramomis por ao menos oito horas. De acordo com o registro policial, os agentes afirmaram que Gustavo estaria transtornado e ameaçando atirar contra si próprio.
Dos quatro policiais que atiraram, um fez 14 disparos, outro realizou 13, um terceiro efetuou seis e o último, 12. Os tiros atingiram a cabeça, o pescoço, o tórax, o cotovelo, a bacia, o antebraço, a mão e a perna. Um carro da Polícia Militar foi atingido duas vezes no capô.
Familiares relataram à polícia que Gustavo morava com a mãe e as irmãs e tomava medicamentos para depressão desde o ano passado. O boletim de ocorrência afirma que ele não tinha antecedentes criminais. Uma parente disse que a família vai aguardar as investigações.
Os policiais pertencem ao 12° Batalhão de Polícia Militar, que abrange Moema, Vila Mariana, Planalto Paulista e Campo Belo. Em 2024, dois agentes do batalhão mataram o estudante de medicina Marco Aurélio Cadenas Acosta, 22, na Vila Mariana; ele também estava desarmado, conforme o registro do caso.
