A decisão de apresentar “Equilibrium II” como uma obra contínua levou Anitta a produzir um filme de 35 minutos, em vez de criar um vídeo separado para cada faixa. O projeto combina recursos de videoclipe e curta-metragem e amplia o universo da primeira parte do álbum, lançada em abril.
A proposta de uma produção com essa duração partiu da cantora, segundo Felipe Britto, sócio-fundador da Ginga Pictures. O produtor conta que inicialmente houve dúvida sobre a capacidade de o público acompanhar o trabalho até o fim, em um ambiente marcado pelo consumo rápido de vídeos nas redes sociais. Anitta, porém, insistiu no formato.
A execução foi concentrada em quatro dias. Para manter o cronograma, a equipe alternava os estúdios: enquanto a cantora registrava uma cena, profissionais preparavam outro espaço para a sequência seguinte. A dinâmica permitia avançar entre músicas e visuais sem interromper o fluxo das gravações.
Da ideia aos cenários
O desenvolvimento começou antes da chegada ao set. Anitta enviava pelo WhatsApp referências e propostas para cada faixa, que eram organizadas pela produtora para se tornarem possíveis de filmar. “Ela manda um monte de áudio com toda a ideia dela, por faixa, com referências visuais”, afirma Britto.
A produção também procurou evitar o uso superficial de referências culturais. Como o filme aborda religiões de matriz africana e povos indígenas, foram incluídas nas equipes pessoas com conhecimento sobre esses universos. A intenção era assegurar que os temas fossem tratados por profissionais com propriedade.
Britto acompanha Anitta há cerca de uma década e participou de diferentes etapas da carreira da cantora, entre elas o documentário “Larissa: O Outro Lado de Anitta”. Ele também esteve envolvido em “Kisses”, projeto que, segundo o produtor, reuniu dez clipes em duas semanas.
Para Britto, a trajetória mostra uma mudança na escala das produções e no uso do audiovisual como forma de contar a história da artista. O produtor também defende que associar imagens às músicas pode reforçar a mensagem apresentada em um álbum, em um período de discussão sobre os investimentos da indústria em videoclipes.


