JUIZ DE FORA — José Correia da Rosa, de 78 anos, já plantou cento e cinquenta árvores frutíferas na Via São Pedro, em Juiz de Fora. A atividade começou há quase sete anos, durante a aposentadoria, como forma de ocupar o tempo livre e manter uma rotina ativa.
José produz mudas em casa e leva as plantas até o local de bicicleta. Para transportar o material, reaproveita galões de cinco litros. As sementes e mudas vêm de frutas consumidas por ele, como manga e abacate.
O aposentado afirma que o plantio contribui para sua saúde. Ele conta que prefere sair de casa, pedalar e cuidar das árvores a permanecer parado, reclamando de dores. O conhecimento, diz, foi construído pela observação das plantas e do ambiente.
A bióloga Júlia Firjam conheceu o trabalho depois de observar José cuidando das árvores. Moradora do bairro São Pedro, ela atua com agroecologia urbana, divulgação científica e educação ambiental. Júlia registrou um vídeo sobre o plantio e publicou o conteúdo nas redes sociais.
Alimento, animais e próximas gerações
José associa o pomar à proteção do meio ambiente, à alimentação e à preservação de espaços para os animais. Ele afirma que as árvores ajudam a oferecer alimento aos pássaros e critica a falta de áreas para esses animais.
O aposentado também defende o cultivo como uma maneira de ampliar o acesso a alimentos. Para ele, plantar pode ajudar as pessoas diante do encarecimento dos produtos e estimular uma relação mais direta com a terra.
Ele diz que fica triste quando alguém danifica as árvores, mas continua o trabalho. Para manter o plantio, aponta como principais necessidades o adubo, o calcário e as formigas, que, segundo ele, participam da fertilização das árvores.
José frequenta o pomar de duas a três vezes por semana. O local pode ser visitado por pessoas interessadas em conhecer o projeto ou contribuir com os materiais necessários.


