Piranhas foram encontradas no Lago de Furnas, no Sul de Minas, em registros feitos nos municípios de Guapé, Carmo do Rio Claro e São José da Barra. A presença dos peixes preocupa moradores e pescadores que vivem às margens da represa por causa de um possível impacto sobre as espécies já existentes no local.
Os animais apareceram entre outras espécies capturadas em redes de pesca. Em Guapé, um pescador relatou ter machucado a mão ao retirar uma piranha. Em Carmo do Rio Claro, um profissional com mais de 38 anos de profissão afirmou ter capturado o peixe pela primeira vez. O registro mais recente, em São José da Barra, também ocorreu durante uma pescaria.
A piranha não é considerada nativa da bacia do Médio Rio Grande. Segundo o biólogo Michael Silveira Reis, a introdução do peixe pode afetar a fauna aquática do lago porque a espécie pode se tornar predadora de outros animais.
Entre os peixes que podem ser atingidos estão o lambari do rabo amarelo, o lambari do rabo vermelho e o mandi. O biólogo explicou que essas espécies podem se tornar vítimas de ataques das piranhas.
Hipóteses para a chegada
Michael aponta como possibilidade a soltura intencional de peixes criados em cativeiro. Outra hipótese é a fuga de alevinos de tanques de criação próximos à bacia. A espécie também pode ter sido introduzida por água de lastro, usada por embarcações para manter a estabilidade durante a navegação.
Essa água pode transportar ovos ou peixes pequenos entre diferentes regiões quando as embarcações não passam pela higienização adequada. Para o especialista, a movimentação de espécies entre bacias pode provocar impactos no ecossistema.
Pescadores e outras pessoas que encontrarem piranhas na região devem comunicar as autoridades ambientais. A orientação é que os casos sejam registrados e monitorados.


