RIO BRANCO — O cinegrafista acreano Albanir Sampaio Pereira, de 42 anos, aguarda a conclusão de exames que podem viabilizar um transplante renal com a doação do irmão, Ailton Sampaio, de 33 anos. Albanir convive há mais de dez anos com nefropatia por IGA, uma doença renal crônica, e realiza hemodiálise três vezes por semana.
A doença reduziu gradualmente a capacidade de funcionamento dos rins. Albanir também passou por mais de 12 cirurgias e procedimentos relacionados aos acessos usados no tratamento, como cateteres e fístulas. Atualmente, está afastado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
“Ficamos privados de muita coisa. A hemodiálise deixa a gente fraco, o tempo vai passando e vamos ficando mais debilitados”, disse Albanir. Ele contou que deixou de jogar futebol e passou a acompanhar o esporte pela televisão.
Espera por um órgão
Albanir permaneceu por 5 anos na fila de transplante. Durante esse período, foi para Porto Alegre, onde aguardou por quase 4 anos, mas não recebeu um rim. Longe da família, decidiu voltar ao Acre em 2025 e passou a considerar a possibilidade de receber um órgão de um doador vivo.
Ailton se dispôs a fazer os exames para verificar a compatibilidade e as condições clínicas necessárias para a doação. Segundo ele, o processo está bem encaminhado e inclui uma avaliação geral para identificar eventuais doenças que possam ser agravadas pelo procedimento.
Ainda não há data definida para o transplante. A realização depende da conclusão dos exames e das avaliações médicas. Ailton afirmou que decidiu doar ao acompanhar o sofrimento do irmão durante o tratamento. “Já são anos nessa luta e quero de qualquer forma poder ajudar”, declarou.
A doação entre pessoas vivas pode ocorrer quando o paciente não encontra um doador compatível e precisa de um órgão. O procedimento pode envolver medula óssea, rim e partes do fígado e do pulmão. No caso de Albanir, a avaliação considera a possibilidade de um transplante renal entre irmãos.
Transplantes no Acre
A Campanha Setembro Verde, promovida pelo Ministério da Saúde, incentiva a doação de órgãos. Neste domingo (27), é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos.
Dados da Central Estadual de Transplantes indicam que o Acre realizou 34 transplantes em 2026: 20 de córnea, nove de fígado, três renais e dois de tecido musculoesquelético. Conforme a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, 263 pacientes aguardam por transplantes no estado. São 191 pessoas na fila por córnea, 51 por rim e 21 por fígado.
A Secretaria de Estado de Saúde informou que apenas uma família autorizou a doação de órgãos após a abertura de protocolos de morte encefálica ao longo do ano. Também foram registradas três doações de córneas de pacientes encaminhados ao Instituto Médico Legal.
Albanir mantém uma rotina voltada aos tratamentos e à convivência com a família. Para ele, o transplante representa a possibilidade de deixar a hemodiálise, recuperar autonomia, retomar projetos e passar mais tempo ao lado dos familiares.


