ARARAQUARA — Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Araraquara aguardam exames e consultas com especialistas enquanto convivem com dores, afastamento do trabalho e receio de agravamento dos problemas de saúde. Um levantamento da Prefeitura, realizado em setembro, registrou quase 15 mil pessoas na fila por ultrassonografias, endoscopias e colonoscopias.
A administração municipal foi questionada sobre medidas para reduzir a espera, previsão de realização dos exames e prazo para outros atendimentos, mas não se posicionou.
Problemas renais
O aposentado João Bruscino Filho espera há dois meses por uma consulta com nefrologista. Ele começou a sentir fortes dores nos rins e urinou sangue. Após ser atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), foi levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e depois transferido para São Carlos.
“Três dias na UPA aqui de Araraquara, aí fui transferido para São Carlos. Passei mais cinco dias lá em São Carlos”, contou João. De acordo com ele, a filtragem do rim estava falhando, e a médica recomendou que procurasse um especialista com urgência. O encaminhamento foi feito, mas a consulta ainda não foi marcada.
João afirmou temer que a falta de atendimento agrave sua condição e o leve a precisar de hemodiálise. Também relatou aumento da pressão arterial e disse medir a pressão cinco ou seis vezes por dia, usando medicamentos para reduzi-la.
Exames ainda sem agendamento
A faxineira Maria José Pereira também está entre os pacientes que aguardam atendimento. Ela tem seis hérnias de disco e sente dores nas costas, nas pernas e nos braços. Uma ressonância identificou, além das hérnias, problemas de bursite na lombar e bico de papagaio.
Maria está afastada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) há cerca de 2 anos e não consegue trabalhar como faxineira. Uma médica solicitou uma nova ressonância e uma colonoscopia, mas os exames não foram agendados. Também houve pedido de avaliação com um neurologista; embora o agendamento tenha sido feito, ela ainda não recebeu resposta.
“Está difícil, seis meses”, disse Maria. Ela afirmou que depende de relatórios médicos para as perícias do INSS e que, enquanto aguarda, os pagamentos ficam em análise. Também relatou o uso de vários remédios e a impossibilidade de voltar ao trabalho.


