Jones Manoel, candidato do PSOL a deputado federal por Pernambuco, afirma que pretende exercer um mandato participativo, com decisões sobre planejamento e emendas tomadas em plenárias nos territórios do estado. Ao mesmo tempo, defende projetos de alcance nacional, como um limite para os juros e uma política federal de mobilidade estudantil.
O candidato propõe que as taxas de financiamento não ultrapassem 10% ao ano em nenhuma modalidade. Também defende recursos federais para o transporte de estudantes de universidades públicas entre municípios, com o objetivo de evitar que abandonem os cursos por falta de dinheiro para se deslocar.
Propostas para Pernambuco e para o país
Jones Manoel afirma que pretende atuar no agreste, no sertão e na zona da mata por meio de plenárias deliberativas. Entre as pautas estaduais, cita a reversão da privatização da Compesa, empresa de saneamento e distribuição de água. Para ele, a discussão tem dimensão nacional porque processos semelhantes ocorrem em outras partes do Brasil.
O candidato também relaciona as dificuldades de Pernambuco à concentração da industrialização e dos serviços complexos no Sudeste e no Sul. Na avaliação dele, a economia pernambucana é pouco diversificada e tem baixa aplicação de tecnologia.
Ele afirma que um programa estadual de recuperação de estradas, o PE na Estrada, gerou empregos com obras de construção civil, mas considera esse resultado temporário. Segundo Jones Manoel, Pernambuco ainda registra o segundo maior desemprego do Brasil.
Críticas ao modelo econômico
Ao comentar a situação dos jovens que vivem entre bicos, informalidade e falta de perspectivas, Jones Manoel atribui o problema ao modelo econômico brasileiro. Ele descreve uma estrutura baseada na agroexportação, no rentismo e no capital estrangeiro, com desindustrialização, dependência de tecnologia importada e pouca oferta de empregos complexos.
O candidato considera grave o número de jovens que não estudam nem trabalham, mas aponta o endividamento das famílias como uma questão ainda mais séria. Ele afirma que há 90 milhões de famílias endividadas e 9,1 milhões de empresas inadimplentes no Brasil. Na visão dele, sem alternativas, parte da juventude passa a associar sucesso e prosperidade à atividade de influencer, à produção de vídeos ou à abertura de contas em plataformas digitais.
Disputa eleitoral e presença digital
Jones Manoel havia defendido uma candidatura comunista revolucionária à Presidência, com programa antineoliberal e capacidade de dialogar com a juventude. Ele afirma que não encontrou espaço partidário para essa alternativa e que a candidatura à Câmara foi escolhida coletivamente como forma de acumular forças para o campo revolucionário.
O historiador também critica a estratégia digital de sua campanha. De acordo com ele, até 27 de agosto seus perfis na Meta estavam restritos e impedidos de fazer anúncios. A campanha recorreu à Justiça para retirar a limitação, mas ele diz que a entrega das publicações continua baixa.
Jones Manoel ganhou projeção com vídeos de análise política e debates com representantes da direita. Seu perfil no Instagram tem mais de 2 milhões de seguidores e recebeu mais de R$ 600 mil em doações de apoiadores. A uma semana da eleição, ele afirma que, caso seja eleito, será o primeiro deputado comunista de Pernambuco.


