SOROCABA — A identificação de um nódulo nas mamas de cães ou gatos deve ser seguida de avaliação veterinária, mesmo quando a alteração parece pequena ou não provoca dor. O tamanho e a aparência da lesão não permitem definir sozinhos se o tumor é benigno ou maligno.
A doença ocorre principalmente nas fêmeas, mas também pode atingir machos, embora isso seja raro. Em cadelas, os tumores mamários aparecem com mais frequência a partir dos 7, 8 anos. Nas gatas, a ocorrência aumenta com a idade e a proporção de casos malignos é maior. Entre os felinos, entre 80% e 90% dos tumores mamários são malignos, predominantemente carcinomas.
Alterações que precisam de atenção
O sinal mais comum é o aparecimento de uma ou mais formações na cadeia mamária, percebidas durante o carinho ou ao tocar a região. Também podem surgir áreas endurecidas, aumento ou mudança no formato da mama, crescimento do nódulo, vermelhidão, feridas, secreção ou sangramento pelo mamilo, dor e sensibilidade.
O aumento dos linfonodos pode ocorrer, especialmente em quadros mais avançados. Diante de qualquer alteração, a orientação é procurar atendimento profissional, sem esperar que a lesão cresça, cause dor ou apresente ulceração.
Investigação e tratamento
Não há um exame de sangue capaz de indicar, de forma geral, que o animal não tem câncer de mama. A prevenção inclui observar regularmente as mamas e manter avaliações periódicas com um veterinário.
Quando uma lesão é encontrada, podem ser solicitadas citologia por punção aspirativa, exames de sangue para avaliação pré-operatória, radiografias do tórax e, conforme o caso, ultrassonografia abdominal. A histopatologia é necessária para confirmar o diagnóstico e fornecer informações sobre o prognóstico.
O tratamento depende do tipo de tumor, do tamanho e da localização da lesão, da quantidade de mamas envolvidas, da existência de metástases e das condições gerais de saúde do animal. Quando o tumor pode ser operado e não há contraindicação, a cirurgia costuma ser o principal recurso. O procedimento pode retirar apenas a formação, uma ou mais glândulas mamárias ou toda uma cadeia mamária. Em alguns casos, também é preciso remover linfonodos próximos.
Depois da cirurgia, o material deve passar por histopatologia. O resultado pode indicar tratamentos complementares, como quimioterapia, sobretudo quando há características de maior agressividade ou risco de metástase.
Castração e fatores de risco
A castração precoce pode reduzir significativamente o risco de tumores mamários em cadelas. O efeito protetor é maior quando o procedimento ocorre antes do primeiro cio e diminui conforme aumenta o número de ciclos estrais. A escolha do momento, porém, deve considerar raça, porte, idade, estilo de vida e possíveis benefícios e riscos.
Injeções anticoncepcionais à base de hormônios podem elevar o risco de problemas mamários, dependendo do hormônio, da dose e da frequência. Os progestágenos podem favorecer alterações no tecido mamário e estão associados a maior risco de tumores. Também podem contribuir para hiperplasia endometrial cística e piometra.
Entre outros fatores relacionados à doença estão o histórico reprodutivo, a exposição a hormônios, o uso de anticoncepcionais hormonais, a predisposição genética, a obesidade em determinados períodos da vida e características individuais ligadas à raça. Mesmo animais castrados podem desenvolver tumores, embora o risco possa ser menor quando a castração é realizada adequadamente.
Prognóstico varia entre os animais
Não há uma única taxa de letalidade aplicável a todos os casos. O prognóstico depende de o tumor ser benigno ou maligno, do tipo histológico, do tamanho, do grau de agressividade e da presença ou ausência de metástases.
Nos gatos, a evolução tende a ser mais difícil de determinar porque a maioria dos tumores é maligna e tem maior potencial de disseminação. Entre as cadelas, existe maior variedade de tumores, com comportamentos que podem ser favoráveis ou agressivos. A identificação e o tratamento precoces aumentam as chances de controle da doença.
A veterinária Viviane orienta que os responsáveis não apertem, massageiem nem tentem romper o nódulo em casa. A conduta indicada é buscar avaliação para definir rapidamente a investigação e o tratamento.
O caso de Mary
A cadela Mary recebeu o diagnóstico de câncer de mama há quatro anos, quando tinha 13 anos. O tutor, Alan Porto Bernardo, morador de Sorocaba (SP), procurou um veterinário depois de perceber uma pequena formação em uma das mamas.
Na primeira consulta, foram constatadas metástases em outros órgãos. O tutor decidiu não seguir com quimioterapia e manteve o tratamento cirúrgico para a retirada dos tumores. Mary passou por procedimentos nas mamas, nas patas e na região íntima. Na cirurgia mais recente, para remover um tumor nas patas, levou 32 pontos.
Alan afirmou que conhecia pouco sobre a doença antes do diagnóstico e passou a orientar outras pessoas sobre o tema. Segundo ele, Mary se recuperou gradualmente, continua brincando, comendo e subindo escadas. O tutor também relacionou o desenvolvimento do câncer à falta de castração, embora a avaliação dos fatores de risco deva ser feita individualmente por um veterinário.


