CagriSema, survodutida e retatrutida estão na fase 3 de testes clínicos, a etapa final antes dos pedidos de aprovação a agências como a FDA, dos Estados Unidos, e a Anvisa. Os medicamentos são desenvolvidos, respectivamente, por Novo Nordisk, Boehringer Ingelheim e Eli Lilly.
A nova rodada de pesquisas busca ampliar a perda de peso, reduzir efeitos colaterais e oferecer alternativas aos medicamentos injetáveis já conhecidos. Entre eles estão a semaglutida, presente no Ozempic e no Wegovy, e a tirzepatida, do Mounjaro. Essas substâncias atuam em mecanismos relacionados ao controle do apetite, da saciedade e da liberação de insulina.
CagriSema combina dois mecanismos
O CagriSema reúne semaglutida e cagrilintida, que age sobre a amilina. Em resultados divulgados pela Novo Nordisk, pacientes com diabetes tipo 2 perderam, em média, 12,4% do peso na semana 60, com a combinação de 1,0 mg/1,0 mg. No grupo que recebeu tirzepatida 5 mg, a redução foi de 9,1%.
Em outro estudo, com adultos com sobrepeso ou obesidade, a perda média chegou a 21% na semana 68, ante 2% entre os participantes que receberam placebo. A empresa também relatou melhora na pressão arterial sistólica, na relação cintura-altura e no perfil lipídico. O pedido de registro nos Estados Unidos foi apresentado em dezembro de 2025.
A Novo Nordisk afirmou que o medicamento foi, de modo geral, bem tolerado. Martin Holst Lange, vice-presidente executivo de Pesquisa & Desenvolvimento e diretor científico da empresa, disse que os resultados reforçam o potencial da combinação, que ainda é investigacional.
Survodutida e retatrutida
A survodutida, da Boehringer Ingelheim, atua sobre os hormônios glucagon e GLP-1. Em um estudo com duração de 76 semanas, adultos com obesidade ou sobrepeso, sem diabetes tipo 2, perderam em média 16,6% do peso, contra 3,2% no grupo placebo. Também houve redução de 34% da gordura visceral e de 63,1% da gordura hepática.
Em outro estudo, com duração de 48 semanas, 84,2% dos participantes com doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica alcançaram redução de ao menos 30% da gordura no fígado. No grupo placebo, o índice foi de 24,3%. A perda de peso chegou a 12,2%.
Os eventos adversos mais frequentes foram náusea, vômito, diarreia e constipação, geralmente leves a moderados. A survodutida não tem aprovação regulatória em nenhum país.
A retatrutida, da Eli Lilly, é um agonista triplo dos receptores de GLP-1, GIP e glucagon. No estudo TRIUMPH-3, participantes com obesidade grave e doença cardiovascular perderam 21,6% do peso com a dose de 9 mg e 22,6% com 12 mg, após um ano e oito meses. No grupo placebo, a redução foi de 3,2%.
No TRIUMPH-2, que envolveu pessoas com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2, as perdas foram de 12,7%, 19,1% e 20,8%, conforme as doses de 4 mg, 9 mg e 12 mg. Náusea, diarreia, constipação, redução do apetite e vômitos estiveram entre os efeitos mais comuns.
Embora ainda não tenha aprovação, a retatrutida circula ilegalmente no Brasil em canetas contrabandeadas do Paraguai. A Eli Lilly planeja apresentar o pedido de aprovação à FDA no primeiro trimestre de 2027.
Orforglipron é alternativa oral
O orforglipron, também desenvolvido pela Eli Lilly, foi aprovado pela FDA em 1º de abril deste ano. Vendido nos Estados Unidos como Foundayo, é um comprimido oral de uso diário, ao contrário dos concorrentes injetáveis. O preço informado para a menor dose é de US$ 149 (R$ 755) por mês.
A molécula foi avaliada no estudo ATTAIN-1, que reuniu mais de 4.500 pessoas com obesidade ou sobrepeso associado a um problema de saúde relacionado ao peso, sem diabetes. Na semana 72, as doses de 6 mg, 12 mg e 36 mg superaram o placebo na redução do peso.
Na maior dose, a perda média foi de 12,4%, equivalente a 27,3 libras ou cerca de 12,4 kg. Quase 40% dos participantes perderam ao menos 15% do peso. Entre os participantes com pré-diabetes, até 91% normalizaram os níveis de açúcar no sangue, ante 42% no grupo placebo.
O medicamento ainda não tem data de aprovação pela Anvisa. A expectativa informada é que chegue ao mercado brasileiro no segundo semestre de 2027. Os efeitos adversos mais frequentes foram náusea, constipação, diarreia e vômitos, com maior incidência nas doses mais altas.


