NOVA YORK — A Royal Caribbean fechou um acordo para comprar 50% de uma joint venture que controlará a Sandals Resorts International, em uma operação que avalia a empresa de resorts all-inclusive em US$ 6 bilhões (R$ 30,61 bilhões). A Royal Caribbean pagará US$ 3 bilhões (R$ 15,3 bilhões) pela participação.
A transação será a maior da história da operadora de cruzeiros e dará à empresa o controle conjunto dos 20 resorts da Sandals no Caribe. O acordo também permitirá a oferta cruzada de estadias em terra para os clientes dos cruzeiros. Parte da família Stewart manterá os outros 50% do negócio.
Estrutura do acordo
A Sandals opera resorts em ilhas como São Vicente, Santa Lúcia e Barbados e mantém quartos destinados a reservas de duas pessoas. A empresa também controla a Beaches Resorts, marca voltada para famílias.
Jason Liberty, CEO da Royal Caribbean, afirmou que a parceria representa “um importante próximo passo” para ampliar as opções de férias oferecidas aos clientes. Liberty e Adam Stewart, filho de Gordon “Butch” Stewart e presidente executivo do conselho da Sandals, comandarão juntos o conselho da joint venture.
A operação ocorre após anos de tentativas de venda da Sandals, que ganharam força depois da morte de Gordon Stewart, em 2021. O processo sucessório envolveu disputas familiares e batalhas judiciais sobre fundos fiduciários ligados ao patrimônio do fundador.
Cheryl Hammersmith-Stewart, terceira mulher de Gordon Stewart, abriu uma ação para alterar a estrutura de governança do fundo da família. Ela e os filhos do casal detêm o maior interesse econômico na entidade. A administração havia sido confiada a uma empresa sobre a qual Adam Stewart e Jaime Stewart exerciam influência significativa.
Estratégia da Royal Caribbean
A Royal Caribbean opera uma frota de 71 navios e também oferece resorts insulares exclusivos para passageiros, incluindo o Perfect Day at CocoCay, nas Bahamas. Sob o comando de Liberty, a companhia avançou para os segmentos de cruzeiros fluviais e pacotes de viagem.
A empresa tem valor de mercado de US$ 62 bilhões (R$ 316,32 bilhões), acima das rivais Carnival Corporation e Norwegian Cruise Line. Em julho, reduziu de 10% para 9% a projeção de crescimento da receita no ano, citando os efeitos das variações cambiais. As ações acumulam queda de 17% no ano.
A conclusão da compra está prevista para o início de 2027. O negócio anterior de grande porte da Royal Caribbean ocorreu em 2018, quando a companhia comprou por US$ 1 bilhão uma participação majoritária na Silversea e, posteriormente, assumiu o controle integral da empresa.


