A relação de Ramiro Bernabó com a natureza marcou sua trajetória artística e pessoal. O artista, que passou boa parte da vida como mergulhador, também colecionava insetos quando era criança e criava obras com cortes profundos e irregulares na madeira.
Bernabó morreu no dia 17 de julho, aos 79 anos, de insuficiência respiratória. Ele deixa a filha Juliana, que também seguiu carreira nas artes, e dois netos.
Argentino, nascido em 1947, viveu quase toda a vida na Bahia. Mudou-se com a família de navio quando tinha 3 anos e guardou a lembrança do impacto causado pelo mar e pelas festas populares. Filho do pintor Carybé, cresceu em um ambiente ligado à produção artística e conviveu com nomes como Calasans Neto e Jorge Amado.
Trajetória artística
Bernabó chegou a prestar vestibular para arquitetura, mas não fez o curso. Por volta dos 20 anos, decidiu dedicar-se integralmente à arte. Autodidata, trabalhou com desenho, pintura, gravura e escultura.
A primeira exposição ocorreu em 1967, em Aracaju (SE). Ao longo da carreira, suas obras chegaram a São Paulo, Rio de Janeiro e Peru. Na década de 1970, morou no Rio de Janeiro e estudou gravura em metal na Escolinha de Arte do Brasil. Também se formou em cerâmica no Museu de Arte da Bahia, em 1984. Em 1988, recebeu o prêmio Copene de Cultura e Arte.
Para a irmã Solange Bernabó, 73, a produção do artista se distinguia da obra do pai. “Não é um segmento, ele tem uma obra muito personalista, muito dele”, afirmou.
O artista visual Leonel Mattos, 71, amigo de Bernabó, descreveu a produção como aparentemente inacabada, mas capaz de provocar reflexão. Em sua casa-ateliê, cercada por muita vegetação, Bernabó passava horas criando e saía pouco. A irmã também recordava um episódio em que ele e um amigo pegaram um tubarão próximo a Ondina, uma das principais praias de Salvador.


