BELÉM — A compositora, DJ e produtora Posada lançou “Madrugada”, seu primeiro clipe, como parte do álbum de estreia “Flecha Envenenada”, lançado este ano. O vídeo percorre lugares relacionados à adolescência da artista na capital paraense e apresenta uma canção construída a partir de reggae, dancehall, hip hop e música eletrônica.
Realizado de forma independente e dirigido por Guimarães Neto, o clipe começa na Matinha, região associada às referências familiares de Posada. Depois, a artista segue de bicicleta por São Brás, Nando Vinil e Feira do Açaí, até as margens do rio Guamá e o Combu. O percurso retoma uma das formas usadas por ela para circular por Belém durante a adolescência.
“É alguém que está retornando à cidade e quer viver esse dia”, conta Posada ao descrever a narrativa do vídeo.
Memória e pertencimento
“Madrugada” é a segunda faixa de “Flecha Envenenada” e nasceu de um momento de renascimento pessoal. O álbum reúne oito faixas em que carimbó, brega e côco convivem com reggae, dancehall, hip hop, bullerengue, cumbia, bolero e reggaeton. A combinação reflete uma formação musical construída entre diferentes territórios, com raízes familiares colombianas e uma trajetória entre o Sul e o Norte do Brasil.
A ancestralidade indígena ocupa lugar central no trabalho. Posada afirma que falar de identidade também envolve enfrentar os estereótipos usados para definir quem pode ser reconhecido como indígena. “Eu sempre fui colocada num espaço em que as pessoas questionavam meu pertencimento étnico porque eu não correspondia a um estereótipo do que é ser indígena”, afirma.
A artista também relaciona tradição e vida urbana ao pensar a presença indígena no mundo contemporâneo. “Nós, povos indígenas, não somos povos do passado. Somos povos com uma tradição riquíssima, complexa, diversa e somos povos que também estão construindo presente e futuro.”
Belém aparece ainda em “Tenoné”, faixa que abre o álbum em ritmo de côco. A composição parte das histórias sobre a infância da mãe de Posada no bairro de mesmo nome, entre noites, igarapés e brincadeiras transmitidas por gerações. Enquanto essa música recupera uma cidade preservada pela memória familiar, “Madrugada” retorna à Belém vivida pela própria artista.


