Crianças e adolescentes nem sempre conseguem expressar diretamente que estão sofrendo. Alterações persistentes no comportamento, no humor, na rotina, nas relações e no uso da internet podem indicar que algo não vai bem. Falas de desesperança, autodesvalorização, despedida ou menções à morte e à autolesão também precisam ser levadas a sério.
As orientações foram adaptadas de materiais do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio, incluindo uma cartilha para pais e educadores sobre prevenção do suicídio na internet. Um sinal isolado não permite concluir que exista risco de suicídio, mas mudanças persistentes, intensas ou combinadas merecem atenção.
Sinais de alerta
Entre os sinais estão tristeza persistente, mudanças bruscas de humor, isolamento da família e dos amigos, perda de interesse por atividades antes apreciadas, irritabilidade, agressividade e explosões de raiva. Queda no rendimento escolar, cansaço excessivo e alterações importantes na rotina também podem indicar sofrimento.
Falas de desvalorização, desesperança ou despedida devem ser observadas, assim como comentários do tipo “queria sumir”, “sou um problema” ou “ninguém vai sentir minha falta”. O desapego repentino de objetos importantes e tentativas de esconder marcas ou ferimentos no corpo também estão entre os sinais de alerta.
No ambiente digital, é importante observar conteúdos publicados ou compartilhados que tratem de morte, autolesão ou desesperança. A procura recorrente por informações sobre suicídio ou formas de se ferir, o envolvimento em grupos que estimulam esses comportamentos e a participação em desafios perigosos na internet também exigem atenção. Outros sinais são o aumento brusco do uso da internet, especialmente durante a madrugada, mudanças repentinas na interação online, isolamento e nervosismo excessivo quando a criança ou o adolescente fica longe do celular ou de outros dispositivos.
Como agir
A conversa deve ocorrer em um momento tranquilo, com uma pergunta direta sobre como a criança ou o adolescente está. Diante de uma preocupação, é possível perguntar se ele tem pensado em se machucar ou morrer. A orientação é escutar sem julgamento e demonstrar que o sofrimento está sendo levado a sério, sem minimizar a situação com frases como “isso é coisa da idade” ou “você está exagerando”.
Quando houver sinais persistentes de sofrimento, deve-se procurar ajuda profissional. Se houver relato de pensamentos ou planos de suicídio, não se deve prometer segredo. Em uma situação de risco, a criança ou o adolescente precisa permanecer acompanhado, com acesso restrito a medicamentos, produtos tóxicos e outros meios que possam ser usados para provocar ferimentos. Em risco imediato, é necessário buscar atendimento de emergência.
Também é recomendado não tratar o sofrimento como frescura ou tentativa de chamar atenção, nem reagir com deboche, gritos, ameaças, raiva ou punição. Não é preciso pressionar o jovem a explicar imediatamente o que sente, e retirar completamente o acesso à internet não deve ser a única resposta a um problema relacionado ao ambiente digital.
Onde buscar ajuda
O CVV (Centro de Valorização da Vida) atende pelo telefone 188, gratuitamente, 24 horas. Também há atendimento online em cvv.org.br. No SUS, a orientação é procurar uma UBS (Unidade Básica de Saúde). Os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) integram a rede pública de saúde mental; para crianças e adolescentes, há os CAPSi (Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil), conforme a organização da rede local.
Em situações de crise ou de risco imediato de suicídio ou autolesão grave, deve-se procurar um pronto-socorro ou uma unidade de emergência. O Samu atende urgências e emergências médicas pelo telefone 192. O Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo 193 em situações que exijam resgate ou atendimento imediato, e a Polícia Militar, pelo 190, quando houver risco imediato.
O Disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive casos de violência contra crianças e adolescentes. A SaferNet oferece orientação sobre violência, violações de direitos e segurança no ambiente digital.
O Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio oferece grupos de apoio a enlutados e familiares de pessoas com ideação suicida, além de cartilhas e cursos para profissionais. A Abrases (Associação Brasileira dos Sobrevivente Enlutados por Suicídio) disponibiliza cartilhas, ebooks e indica grupos de apoio em todas as regiões do país. O endereço informado é abrases.org.br.


