TÓQUIO — O fundador do SoftBank, Masayoshi Son, negocia a captação de até US$ 100 bilhões (R$ 502,4 bilhões) com investidores do golfo Pérsico para ampliar os investimentos do grupo em inteligência artificial. Nas últimas semanas, ele conversou com autoridades e executivos de alto escalão, inclusive nos Emirados Árabes Unidos.
A proposta prevê a criação de um fundo para comprar empresas e aplicar inteligência artificial e outras tecnologias avançadas em suas operações. A Roze, divisão do SoftBank voltada à robótica e à IA física, deverá ter papel central na iniciativa. Son espera levar a unidade à Bolsa com uma avaliação elevada.
Não há garantia de que as negociações serão concluídas. A possível captação ocorre enquanto investidores reavaliam a exposição do SoftBank ao setor, após o adiamento da oferta pública inicial da OpenAI, criadora do ChatGPT. O SoftBank investiu US$ 65 bilhões (R$ 326,56 bilhões) na empresa.
Aportes do Golfo
A Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, e o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita participaram do financiamento do primeiro Vision Fund, de US$ 100 bilhões, em 2017. Até o fim de junho, esse fundo havia acumulado cerca de US$ 29 bilhões em ganhos com investimentos. O Vision Fund 2, financiado principalmente pelo SoftBank e responsável pela participação na OpenAI, gerou US$ 20,5 bilhões.
Abu Dhabi se tornou um dos maiores investidores mundiais em IA por meio de estruturas como o fundo MGX e a holding G42. Representantes das duas empresas não responderam aos pedidos de comentário. O SoftBank não quis comentar.
Son combina captação de recursos, empréstimos parcialmente garantidos pela participação do SoftBank na fabricante de chips Arm e recursos próprios para financiar seus investimentos. No mês passado, a empresa concluiu a maior emissão de títulos de alto risco já registrada, pagando rendimentos de até 9,75% e levantando mais de US$ 11 bilhões (R$ 55 bilhões).
As ações do SoftBank acumulam alta de 25% neste ano, mas recuaram mais de 30% desde o pico de junho. Na sexta-feira, caíram 5%, depois que a receita anualizada da OpenAI ficou cerca de US$ 20 bilhões abaixo do valor indicado pela empresa.
O valor patrimonial líquido do SoftBank era de 72,3 trilhões de ienes (R$ 2,28 trilhões) no fim de junho. A relação entre empréstimos e valor dos ativos estava em 13%, abaixo do teto de 25% para as operações normais.
Executivos do grupo afirmam que oscilações de curto prazo na avaliação da OpenAI ou de outras empresas do portfólio não alterarão os planos de investimento. Analistas e pessoas próximas à empresa avaliam, porém, que uma queda na avaliação da OpenAI poderia criar dificuldades, porque grande parte dos investimentos está ligada à companhia ou, de modo mais amplo, à inteligência artificial.


