SÃO PAULO — A votação presidencial deste domingo (4) foi marcada por críticas entre os principais candidatos e por declarações sobre pesquisas, alianças e o cenário eleitoral. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o resultado será definido pelas urnas, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse estar confiante em uma vitória no primeiro turno com base em pesquisas internas de seu partido.
Flávio chegou às 8h05 à escola municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro. Após votar, declarou que eleitores que antes escolheriam outros candidatos estariam migrando para sua candidatura. Segundo o senador, há um movimento de voto de revolta já no primeiro turno.
O candidato também criticou Lula ao mencionar os impostos e o preço dos alimentos. Sem apresentar detalhes, afirmou que o presidente perseguiria a imprensa caso fosse reeleito. Flávio estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e foi recebido por uma dezena de apoiadores.
Lula votou por volta das 9h10 na Escola Estadual João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo (SP). Fernando Haddad (PT), candidato ao governo paulista, Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado, e Alexandre Padilha (PT) acompanharam o presidente.
Ao falar com jornalistas, Lula disse que a eleição envolve a escolha entre o fortalecimento da democracia e a barbárie. Também afirmou que o país não avança com um miliciano nem com a ideia associada ao Banco Master. Sobre as pesquisas mais recentes, que registraram oscilações positivas de Flávio, declarou que o dado decisivo será o resultado da votação.
Na saída, apoiadores pediram a vitória no primeiro turno. Lula posou para fotos, e o candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB), cumprimentou o grupo. O presidente deve acompanhar a apuração em casa, em São Paulo, e depois encontrar aliados em um hotel na capital.
Renan Santos (Missão) votou em uma escola pública no distrito de Socorro, na zona sul de São Paulo. Ele criticou os dois candidatos líderes nas pesquisas, disse ter trabalhado contra o voto útil em Flávio para derrotar Lula e reconheceu que esse movimento poderia prejudicar sua própria votação. Renan classificou a eleição como a mais bizarra e a mais estranha desde a redemocratização e afirmou que o processo foi vazio, sem debate ou discussão sobre propostas.
Ronaldo Caiado (PSD) votou no Colégio Estadual Zizi Perillo Caiado, em Nova Crixás (GO). Disse ter apresentado propostas para combater a violência, reduzir juros e corrigir rumos da economia. Sobre eventual apoio no segundo turno, afirmou que aguardará o fim da apuração.
Romeu Zema (Novo) votou por volta das 9h06 na Escola Estadual Delfim Moreira, em Araxá (MG), levando o celular à cabine. Ele negou ter fotografado a urna e afirmou que carregava em papel os números dos candidatos. O TSE informou que é proibido portar celular na cabine, mesmo desligado. O TRE-MG disse que vai apurar o caso. Carlos Henrique Perpétuo Braga, presidente do tribunal, afirmou que a conduta pode caracterizar crime eleitoral e resultar em detenção.


