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Política

Analistas veem vantagem de Flávio em temas do cotidiano no primeiro turno

Especialistas avaliam que custo de vida, violência e menor confronto ajudaram Flávio, enquanto Lula apostou no legado e terá de mudar a estratégia.

Analistas veem vantagem de Flávio em temas do cotidiano no primeiro turno
Foto: Bruno Santos/Folhapress e Douglas Shineidr/AFP

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou vantagem ao concentrar a propaganda em endividamento, custo de vida e violência cotidiana, segundo avaliação de analistas. O senador também se afastou do tom de confronto associado ao pai, Jair Bolsonaro, enquanto Lula (PT) apostou no legado de seus governos anteriores e na própria biografia.

Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Para os pesquisadores, a comunicação não explica sozinha o resultado, mas as escolhas das campanhas ajudam a compreender a menor diferença registrada em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização. Desde 1989, em eleições decididas em segundo turno, venceu o candidato que liderou a primeira votação.

A propaganda eleitoral do segundo turno recomeça nesta sexta-feira (9) e segue até 23 de outubro, antevéspera da votação. A disputa presidencial terá dois blocos diários de dez minutos, divididos igualmente entre os candidatos, além de inserções ao longo da programação. Nos estados com segundo turno para governador, haverá blocos próprios.

Estratégias de campanha

Wilson Gomes, professor da UFBA e colunista, avaliou que a campanha de Lula recorreu ao passado sem apresentar uma perspectiva consistente de futuro. Para ele, faltou ao PT formular uma proposta associada a algo que somente Lula poderia fazer e que alteraria a vida do eleitor.

Camilo Aggio, professor da UFMG e pesquisador do INCT.DD, também apontou que a propaganda petista respondeu pouco às promessas de 2022 que não foram cumpridas. A campanha começou tratando de soberania, tema considerado mais distante das preocupações do eleitor por Aggio, e depois passou a enfatizar renda. A mudança ocorreu quando Flávio levou esses assuntos ao centro de sua própria comunicação.

Na segurança pública, o senador tratou de roubo de celular, facções e redução da maioridade penal. Aggio classificou a abordagem como punitivista e voltada a problemas presentes no cotidiano. Gomes avaliou que a escolha desses temas, em vez de questões morais e provocações, ajudou Flávio a se diferenciar do pai. “Todo mundo estava observando para ver se Flávio era Jair 2 ou se era outra pessoa”, afirmou.

Aggio ponderou que não é possível atribuir o resultado diretamente à campanha, mas disse que Flávio encontrou uma agenda adequada. O senador venceu nos três maiores colégios eleitorais do país — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — e no Sul. Lula liderou em estados do Nordeste.

Fora do rádio e da televisão, Flávio contou com uma rede de vereadores, prefeitos, deputados e influenciadores alinhados ao bolsonarismo, segundo Bruno Bolognesi, professor da UFPR. Na avaliação dele, Lula fez uma campanha semelhante à de 2002 sem considerar que a articulação política hoje ocorre em escala local. Bolognesi também relacionou o resultado ao desgaste de um partido que ocupou a Presidência por cerca de 20 dos últimos 24 anos.

Mudanças para o segundo turno

Aggio considerou acertada a decisão de Lula de tratar a proibição das bets como questão de saúde pública e associá-la ao endividamento das famílias. Sem essa mudança, avaliou, Flávio poderia ter vencido no primeiro turno. Os ataques ao adversário ganharam espaço na propaganda petista, mas, para o pesquisador, a campanha não pode se limitar a esse recurso.

Gomes afirmou que a comunicação de Lula e a ausência em todos os debates falaram principalmente com eleitores já ligados ao PT, sem buscar neutros ou pessoas que votaram no presidente em 2022 sem serem petistas. Ele também apontou falas de Lula e da primeira-dama Janja em atos de campanha, posteriormente transformadas em cortes nas redes, como um fator que prejudicou o mandatário.

Lula e Flávio chegaram à votação com rejeição de 45% cada um, segundo o Datafolha. Na avaliação de Gomes, antipetismo e antibolsonarismo se neutralizaram parcialmente, mas o antipetismo levou eleitores de direita a se concentrarem em Flávio, considerado o candidato mais viável para derrotar o PT.

A campanha de Lula deve buscar maior aproximação com o ambiente digital e explorar o temor de fim de programas sociais para elevar a rejeição a Flávio. A estratégia do senador tende a ser mantida, segundo Aggio. Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha, afirmou que o partido pretende confrontar os projetos dos dois candidatos. Lula disse que fará um apelo aos eleitores que não votaram.

A abstenção foi de 21,08%, equivalente a 33,4 milhões de pessoas. Para Gomes, as duas campanhas também erraram ao transmitir, em algum momento, um clima de vitória antecipada. Ele citou a afirmação de Lula de que venceria no primeiro turno e a declaração de Flávio sobre usar a vantagem da direita no Congresso para mudar a Constituição e “redemocratizar o país”. Na quarta-feira (7), o senador disse que se referia a propostas como a redução da maioridade penal e o fim da reeleição.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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